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China reduz juros e compulsório para estimular crédito

Cortes entram em vigor na quarta e são maiores do que as recentes reduções promovidas pelo BC do país

Cláudia Trevisan, de O Estado de S. Paulo,

26 de novembro de 2008 | 08h02

A China realizou nesta quarta-feira, 26, o maior corte de juros em 11 anos, no momento em que crescem os indícios de forte desaceleração da economia e aumentam os protestos de desempregados no Sul do país. O Banco do Povo da China reduziu a taxa básica para empréstimos de um ano em 1,08 ponto percentual, bem acima do que esperavam os analistas e do 0,27 ponto percentual adotado em cortes recentes. A última vez em que a China reduziu os juros nessa proporção foi em 1997, durante a Crise Asiática. Veja também:UE prepara pacote para reativar economia do blocoFed anuncia novo resgate de US$ 800 bi nos EUADe olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29Como o mundo reage à crise  Dicionário da crise   A autoridade monetária também diminuiu a quantidade de dinheiro que os bancos devem deixar imobilizada no banco central, sem emprestar. O corte foi de 1 ponto percentual, para 15% dos depósitos, o que eleva em US$ 53 bilhões o volume de recursos que o sistema financeiro pode utilizar para concessão de financiamentos. A taxa básica para empréstimos de um ano está agora em 5,58%, enquanto a incidente sobre depósitos de mesmo prazo caiu para 2,52%. Os sinais de alarme do governo chinês em relação ao agravamento da crise eram evidentes nesta quarta na versão online do jornal oficial China Daily, editado pelo Conselho de Estado, que chegou a criar um fórum de discussão sob o título "A China caminha para a recessão?".  Também é crescente a preocupação com o aumento de protestos no país. As autoridades de Pequim determinaram aos líderes locais do Partido Comunista que ouçam as queixas da população e tentem resolver seus problemas. Demissões Na segunda, cerca de 500 ex-empregados da fábrica de brinquedos Kaida entraram em confronto com a polícia, destruíram carros, motos e atacaram o edifício da empresa, que tem 8.000 funcionários. O grupo protestava contra a ausência de indenização em demissões que a companhia realiza desde meados do mês. A maioria tem mais de cinco anos de trabalho, mas a empresa decidiu só pagar compensação aos que eram contratados há mais de sete anos. A Kaida fica em Dongguan, na província de Guangdong, onde estão concentradas as indústrias de brinquedos, calçados e têxteis voltadas para a exportação que sofrem com a queda na demanda dos Estados Unidos e Europa.  Em outubro, centenas de trabalhadores realizaram manifestações na mesma cidade depois que a Smart Union fechou duas fábricas de brinquedos e deixou 7.000 pessoas desempregadas.  Estatísticas do governo chinês mostram que 3.631 empresas do setor _o equivalente a 53% do total_ faliram nos primeiros sete meses do ano, em razão do aumento dos custos trabalhistas, valorização do yuan em relação ao dólar e queda nas vendas externas. Os que sobraram enfrentam agora o agravamento da crise internacional. Crescimento menor Na terça-feira, o Banco Mundial reduziu sua estimativa de crescimento da China em 2009 de 9,2% para 7,5% _se confirmado, será o menor índice desde 1990. O número está abaixo dos 8% que muitos economistas consideram necessários para criar os 10 milhões de novos empregos urbanos que o país precisa a cada ano. Na semana passada, o ministro de Recursos Humanos e Seguridade Social, Yin Weimin, afirmou que a perspectiva para o emprego no país é "sombria" e que o aumento dos protestos era a principal preocupação de sua Pasta. Há duas semanas, as autoridades de Pequim divulgaram um pacote de US$ 586 bilhões para estimular o crescimento por meio do investimento em obras de infra-estrutura, como ferrovias, estradas, portos, aeroportos e hidrovias. Os recursos deverão ser gastos até 2010.

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