China registra nova alta recorde na inflação

Índice anual em abril foi de 8,5%, impulsionado por alta no preço dos alimentos

Marina Wentzel, BBC

12 de maio de 2008 | 06h55

O índice de preços ao consumidor na China registrou alta de 8,5% no mês de abril em relação ao mesmo período do ano passado, informou nesta segunda-feira, 12, o Departamento de Estatísticas do Governo Chinês. O novo índice confirma uma tendência de intensa alta observada desde o ano passado.  Veja também: Alta de alimentos não se manterá no longo prazo, diz analistaEntenda a crise dos alimentos Em março o índice havia ficado na casa dos 8,3% e em fevereiro chegou a 8,7%, o mais alto dos últimos 12 anos. O preço dos alimentos impulsionou o índice para cima, pois somente esse segmento marcou alta de 22,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Itens não-alimentícios apresentaram uma alta média bem mais sutil, de apenas 1,8%, informou a agência de notícias estatal Xinhua. Mas há indícios de que a inflação esteja afetando a economia como um todo, pois o índice de preços de produção, um cálculo que mede o custo de bens acabados na saída da linha de produção, marcou alta de 8,1% em março em comparação ao mesmo período de 2007. A elevação é a maior dos últimos quatro anos. Superávit A entrada de capital estrangeiro por conta da balança comercial superavitária contribui para o aumento na quantidade de dinheiro circulando na economia, o que também estaria impulsionando a inflação. Em abril, a balança comercial da China obteve saldo positivo de mais de US$ 16 bilhões. A meta inflacionária do governo da China para este ano é de 4,8%, mas parece cada vez mais improvável que ela seja atingida. A elevação dos preços tem afligido a economia do país há tempos e somente no ano passado as taxas de juros foram elevadas seis vezes para tentar frear as pressões inflacionárias. Em 2007, os bancos também viram crescer o volume de depósitos obrigatórios e foram convidados pelo governo a diminuir as linhas de crédito para "enxugar" a liquidez da economia. Juros Durante o fim de semana, o presidente do banco central da China, Zhou Xiaochuan, reforçou a posição de que a prioridade do governo é combater a inflação. A declaração levou o mercado a se perguntar se a China planeja uma nova escalada nos juros. Entretanto, há pouco espaço para manobras do lado chinês. O recente corte nos juros nos Estados Unidos - para combater a crise do crédito imobiliário e o início de uma recessão - afastou investidores que agora estão procurando por outros imercados com maior garantia de retorno. Juros mais altos na China deverão atrair a entrada desse capital estrangeiro, o que invariavelmente aumentará o volume de dinheiro na economia impulsionando a inflação ainda mais para cima. A esperança, sugerem alguns especialistas, é que uma possível retração na economia global iniciada pela recessão norte-americana cause uma queda significativa nas exportações chinesas a países ricos a ponto de refrear significativamente a entrada de dinheiro no país, reduzindo o superávit comercial.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.