China rejeita críticas dos EUA sobre desvalorização do yuan

Premiê chinês afirmou que se yuan for valorizado como EUA querem, várias empresas chinesas poderiam falir.

BBC Brasil, BBC

23 de setembro de 2010 | 09h29

O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, rejeitou as críticas americanas à atual política de câmbio chinesa nesta quinta-feira, horas antes de uma reunião com o presidente americano Barack Obama.

Os Estados Unidos ameaçam penalizar a China, acusando o governo de manter a moeda artificialmente baixa para dar às empresas chinesas uma vantagem injusta no comércio internacional.

Mas Wen disse a líderes empresariais nos Estados Unidos que o câmbio do yuan não tem qualquer relação com o déficit comercial americano com a China, e que a questão não deve ser politizada.

"Não existem condições para a valorização do yuan", disse ele durante um discurso em um dos eventos paralelos à reunião geral da Assembleia da ONU, que está sendo realizada em Nova York.

Segundo Wen, se o yuan for valorizado entre 20% e 40%, como querem os Estados Unidos, várias empresas chinesas irão à falência.

"A principal razão para o déficit comercial dos Estados Unidos com a China não é a taxa de câmbio, mas a estrutura do comércio e investimento entre os dois países", afirmou o premiê.

Proposta

Um comitê da Câmara de Representantes do Congresso americano deve votar nesta sexta-feira uma proposta sobre o câmbio na China que prevê sanções ao país caso o governo não faça mais para permitir a valorização do yuan.

A Câmara deve votar a proposta na semana que vem, segundo um assessor do Partido Democrata.

Mais cedo, nesta semana, o presidente Obama afirmou que a moeda chinesa está "com valor mais baixo do que indicariam as condições do mercado".

"Portanto, isso lhes dá a vantagem comercial. Vamos continuar a insistir que nesta questão, e em todas as questões comerciais entre nós e a China, se trata de uma via de mão dupla."

Disputas comerciais

O câmbio do yuan não é o único ponto de tensão entre a China e os Estados Unidos.

Pequim também advertiu para que os Estados Unidos não interfiram em uma disputa territorial no Mar do Sul da China. A China também reclama da venda de armas americanas para seu rival, Taiwan.

"Eu acredito totalmente que todas as disputas e fricções comerciais deste momento entre China e Estados Unidos podem ser resolvidas", disse Wen.

Ele acrescentou, afirmando que a China quer "um Estados Unidos forte e estável, assim como os Estados Unidos precisam de uma China forte e estável". BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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