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China rejeita limitar venda de têxteis ao País

Com a queda das exportações, chineses não querem prorrogar acordo que venceu no fim do ano passado

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

12 de março de 2009 | 00h00

Diante da crise e da queda nas exportações, a China rejeita um acordo para limitar as vendas de produtos têxteis para o Brasil. O governo brasileiro admite que investigações de dumping e eventuais salvaguardas já estão em andamento, para ver se será o caso de elevar novas barreiras contra os produtos chineses. Em 2005, o governo chinês fechou um entendimento com o Brasil, limitando o crescimento das exportações ao mercado nacional e criando cotas. Em contrapartida, o Brasil evitaria criar barreiras. Entre 2003 e 2005, as exportações chinesas de produtos têxteis para o mercado brasileiro dobraram.Porém, o acordo venceu no fim do ano passado. O Itamaraty chegou a enviar negociadores para a avaliar a situação e propor novo acordo. Mas os chineses não aceitaram. Segundo Carlos Marcio Cozendey, diretor do Departamento Econômico do Itamaraty, investigações de dumping já estão ocorrendo no Brasil. Mas há pelo menos dois fatores que podem amenizar a entrada dos produtos no País. Um deles é a queda nas exportações chinesas em geral. Em fevereiro, a redução dos embarques da China a todo o mundo foi de 25%.Outro fator é a desvalorização do real, que também teria contribuído para frear as importações do setor. De todas as formas, o governo avalia ainda a situação. Em 2008, a China exportou US$ 185 bilhões em produtos têxteis, um crescimento de 8,2% em relação ao ano anterior. Mas a taxa de expansão já estava dando sinais de queda. Em 2007, o crescimento foi de 10,7%. Os chineses estimam que 20 milhões de trabalhadores já foram afetados em todo o país pela crise e estão sendo obrigados a voltar para o interior da China e deixar os centros de produção.O problema é que o setor têxtil brasileiro também vive uma queda das exportações. Só em janeiro, a redução nas vendas para o exterior foi de 33,5%. TRIGOO Brasil ainda negocia com a Rússia a compra de 2 milhões de toneladas de trigo para suprir a falta do produto no mercado. O maior exportador de trigo era a Argentina. Mas a seca e a queda na produção do país vizinho podem obrigar o Brasil a apelar para Moscou.Mas o Brasil não quer fechar um negócio sem antes barganhar. O Itamaraty quer que os russos, em contrapartida, abram seu mercado às exportações nacionais de carnes, principalmente suína e frango. Os russos fecharam um acordo de cotas com a Europa e com os Estados Unidos, mas deixaram um espaço considerado insuficiente pelo Brasil. Em abril, os dois países se reúnem para tentar obter uma revisão das cotas paras as carnes nacionais.

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