China retira embargo à carne bovina brasileira

Bloqueio havia sido imposto ao produto em 2012, após caso atípico de vaca louca no Paraná

Nivaldo Souza, José Roberto Gomes e Ricardo Della Coletta, Agência Estado

17 de julho de 2014 | 16h19

A visita do presidente da China, Xi Jinping, ao Brasil para o encontro do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) culminou com um acordo para o país suspender o embargo à importação de carne bovina brasileira. O bloqueio havia sido imposto ao produto em 2012, após o caso atípico de vaca louca no Paraná.

O ministro da Agricultura, Neri Geller, disse que a negociação é um "recomeço". O ministro disse que a estimativa é de que o país asiático compre até US$ 1 bilhão do produto brasileiro em 2015. "Estamos com uma expectativa, com a barreira fitossanitária sendo quebrada (pela China), de exportar de US$ 800 milhões a US$ 1 bilhão no próximo ano", disse.

O governo chinês concordou em habilitar nove plantas para exportação. O ministro estimou entre 30% e 35% o crescimento do consumo de carne bovina pela China em 2015. "Em 2009, quando abrimos o mercado (chinês), a China importava US$ 44 milhões em carne bovina do mundo e do Brasil foi US$ 2,5 milhões. Em 2012, quando perdemos o mercado, era US$ 255 milhões (importados) do mundo, o Brasil exportou naquele ano US$ 37,768 milhões", recordou. Agora, o ministro acredita que o País possa absorver a maior parte do mercado chinês, que no ano passado importou US$ 1,3 bilhão.

Se para convencer os chineses a abrir, em 2009, seu mercado o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou o presidente do país para um churrasco na Granja do Torto, em Brasília, com a presidente Dilma Rousseff o argumento foi menos pessoal. De acordo com Geller, o governo retoma as exportações com base em argumentos técnicos. "Tem dois pontos que foram favoráveis: primeiro a demanda chinesa muito forte e (segundo) a questão da defesa (fitossanitária) brasileira", avaliou. "O Brasil saiu fortalecido com o caso (atípico de vaca louca em maio) em Mato Grosso e o certificado da OIE que considerou o Brasil com o status de risco insignificante (da doença)", disse.

A China suspendeu a compra de carne bovina do Brasil em 2012 em função do caso atípico de 'vaca louca' registrado no Paraná. Desde então, o mercado chinês vinha sendo abastecido via Hong Kong, que tem sido um entreposto da carne brasileira na Ásia. Não à toa, Hong Kong foi responsável por parte desse crescimento, ao lado da Rússia. O ministro considerou que as exportações para a Hong Kong caiam, agora que o Brasil vai exportar diretamente para a China.

As exportações de carne bovina brasileira somaram 762 mil toneladas no primeiro semestre de 2014, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec). A remessa do produto ao exterior cresceu 12,7% em relação às 675,7 mil toneladas do intervalo janeiro-junho de 2013. Em receita, o crescimento foi de 13,3%, atingindo US$ 3,404 bilhões, contra US$ 3,004 bilhões do ano passado.

Geller se disse confiante de que com a reabertura da China à proteína animal brasileira as exportações para o país asiático respondam por cerca de 20% do total exportado pelo Brasil.

Repercussão. O presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul), Chico Maia disse que a medida pode ser um estímulo à abertura de novos mercados. "A China sempre puxa o bonde", comentou. "Qualquer pequeno movimento chinês já um grande evento." 

Já o diretor técnico da Informa Economics FNP, José Vicente Ferraz, considerou positivo o fim do embargo à carne bovina brasileira pela China, mas ponderou que o restabelecimento do comércio da proteína entre os dois países será gradual. "Temos de ter em mente que os resultados não vão aparecer amanhã. Isso leva um tempo. É preciso restabelecer todos os canais de negociação, consolidando-os no longo prazo", disse. Ele, porém, destacou que a liberação já terá alguma influência sobre as exportações brasileiras de carne bovina neste ano. 

"Manter esse mercado é absolutamente importante, tendo em vista o tamanho dele e a perspectiva de crescimento de consumo lá", destacou. Ainda de acordo com o diretor técnico da Informa Economics FNP, o Brasil "tem tudo para ficar com uma das maiores parcelas" do mercado chinês da proteína. 

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