Adilvan Nogueira/Estadão
Adilvan Nogueira/Estadão

China se consolida como principal parceiro comercial do País

Em 2020, sob o impacto da covid-19, a China foi um dos poucos países a aumentar a demanda por produtos brasileiros, o que ampliou ainda mais sua importância relativa

Claudia Trevisan, O Estado de S. Paulo

14 de fevereiro de 2021 | 11h09

Hoje é difícil acreditar que no icônico ano 2000 a China não aparecia entre os dez maiores parceiros comerciais do Brasil e era destino de apenas 2% das exportações nacionais. Os Estados Unidos lideravam o ranking, com participação de 24%.

O boom de commodities desencadeado pela voracidade da China por matérias-primas e soja catapultou o país para a quarta posição entre os clientes brasileiros em 2004 e para a terceira em 2008. No ano seguinte, na esteira da crise financeira global que atingiu em cheio os Estados Unidos, a China destronou o tradicional parceiro do Brasil e assumiu o primeiro lugar, onde se mantém até hoje, com liderança cada vez mais sólida.

Em 2020, sob o impacto da covid-19, a China foi um dos poucos países a aumentar a demanda por produtos brasileiros, o que ampliou ainda mais sua importância relativa. A pauta continua concentrada em três itens – soja, minério de ferro e petróleo –, que representaram 74% das exportações nacionais para o país asiático no ano passado (os dados excluem Hong Kong e Macau).

Mas a China é o principal mercado para vários outros segmentos da economia brasileira. Sete dos dez principais produtos de exportação em 2020 tiveram como destino o país asiático. Além dos três mencionados, a China foi o maior comprador de açúcar, carne bovina, celulose e carne de frango. 

Nós vivemos um incipiente processo de diversificação da pauta nas exportações do agronegócio para a China, com aumento do valor agregado dos produtos. Essa tendência deve se acentuar com a esperada elevação do grau de urbanização e da renda per capita do país.

O movimento abre oportunidades para empresas brasileiras explorarem novos nichos de mercado e se aventurarem no e-commerce chinês, o maior do mundo, com transações de US$ 1,9 trilhão em 2020.

Além de sua relevância para setores importantes da economia, o comércio com a China também ajudou a reforçar a posição externa do Brasil, com entrada de divisas e expansão das reservas internacionais. Desde 2000, a balança bilateral só foi deficitária para o Brasil em três anos. 

Na última década, o País acumulou US$ 170,5 bilhões em superávit com a China, o que representou 48% de nosso saldo positivo com todo o mundo no mesmo período. Com o recorde de exportações de 2020, a China respondeu por inéditos 66% do superávit comercial brasileiro.

*DIRETORA EXECUTIVA DO CONSELHO EMPRESARIAL BRASIL-CHINA (CEBC) E EX-CORRESPONDENTE DO

‘ ESTADÃO’ NA CHINA E NOS ESTADOS UNIDOS

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