China se mobiliza contra megainvasão de algas marinhas

'Alfaces do mar' divertem turistas, mas representam séria ameaça à pesca, ao turismo e às contas públicas

The New York Times,

05 de julho de 2013 | 15h22

QINDAO - Um mar de algas invadiu a cidade chinesa costeira de Qingdao, prejudicando o turismo na região e despertando preocupações das autoridades.

A Administração Estatal Oceânica disse que o tapete de "alface do mar", como as algas são conhecidas na China, é geralmente é inofensivo para seres humanos, mas sufoca a vida marinha e, invariavelmente, afugenta os turistas quando começa a apodrecer.

Alguns banhistas parecem se divertir com a invasão verde nas imagens da mídia chinesa. Fotos e vídeos mostram nadadores descansando em camas verdes de algas, jogando-as com alegria ou fazendo montanhas como se fossem de areia.

As autoridades locais declararam, no entanto, que a invasão é "um desastre em larga escala" e enviaram centenas de barcos e tratores para limpar as águas na  antiga concessão alemão da província de Shandong, famosa por sua cerveja e praias.

Trabalhadores e voluntários já retiraram mais de 20 mil toneladas de algas, segundo o governo de Qingdao. As algas são valorizado pelos seus nutrientes, usados como ingredientes em fertilizantes e na produção de energia de biomassa.

Mas, em grandes quantidades, elas podem ser perigosas, uma vez que se decompõe, produzindo gás sulfídrico tóxico. Nesse processo, elas exalam um cheiro que lembra a ovo podre.

A maré verde espalhou-se por mais de 7,5 mil quilômetros quadrados, o dobro do tamanho de um surto semelhante ocorrido em 2008, que chegou a ameaçar eventos de vela durante os Jogos Olímpicos de Pequim, promovidos na região de Qingdao.

Barcos e helicópteros com dez mil trabalhadores foram acionados para limpar as águas na época. Os custos de limpeza mais tarde foram estimados em mais de US$ 30 milhões.

Os danos para produtores de frutos do mar e pescados foram estimados em mais de US$ 100 milhões, segundo a Academia Chinesa de Ciências da Pesca. Um surto em 2009 foi ainda maior, afetando um trecho do Mar Amarelo.

Os biólogos estão tentando explicar a mais recente proliferação de algas, mas os cientistas suspeitam que o problema está ligado à poluição.

Marés verdes semelhantes foram relatadas em outras regiões do mundo, mas em Qingdao elas começaram em 2007. Um fator-chave é a alta oferta de nutrientes escoados pela agricultura na região. A dúvida é porque as marés só começaram a ocorrer nos últimos anos, se a agricultura na região é milenar.

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