China substitui Brasil nas importações argentinas

O Brasil perde mercado argentino para a China e corre o risco de ser substituído pelo gigante asiático em poucos anos. A advertência foi feita pela consultoria Abeceb.com, do economista Dante Sica, ex-secretário de Indústria da Argentina. A recuperação do mercado interno argentino, posterior à crise de 2001/02, se traduziu em um forte incremento das importações, tanto que chegaram aos U$S 34,159 bilhões em 2006, o que representa um crescimento de 280% em comparação com 2002, quando foram registradas somente US$ 8,990 bilhões.Segundo o estudo elaborado pela consultoria, as compras provenientes da China se expandiram a uma velocidade muito superior ao resto das importações, particularmente daquelas de origem brasileiras. Os produtos, cuja participação brasileira em 2003 era superior a 50%, foram substituídos pelos de origem chinesa, em 2006: televisores, impressoras, derivados de hidrocarbonetos, aspiradores de pó e outros. Aqueles em que a participação girava entre 25% a 50%, a perda de mercado foi ainda mais importante, como os carregadores de bateria, aparelhos de áudio e PET. Nos produtos com participação inferior a 25%, a China se posicionou como líder: computadores portáteis, unidades de memória, brinquedos e vídeo gravadores."O fenômeno produtivo e comercial da China não é novo na região, mas seu impacto é cada vez maior", afirma o relatório da Abeceb.com. Embora a participação do país asiático nas importações de muitos produtos ainda não seja tão elevada, "é preciso levar em consideração que a perspectiva demonstra que a China continuará ganhando market share nos próximos anos", alerta.Segundo o estudo, essa tendência não se deve somente à demanda expandida da Argentina, mas também às aptidões que converte a China em uma potência exportadora em nível mundial: salários competitivos, elevada escala de produção e alta produtividade."Nos últimos 6 anos as importações de produtos do país Asiático cresceram quase o dobro (158,7%) que as provenientes do Brasil, que cresceram somente 81,8%", ressalta o levantamento. Ainda mais entre 2002 e 2006, continua, os anos da recuperação argentina, "podemos observar que o crescimento médio das compras originárias do Brasil têm sido de 49%, enquanto a da China foi de 76,8%", destaca o economista Mauricio Clavéri, especialista em comércio exterior e autor do estudo.Setor automotivoSegundo o estudo, elaborado entre 2003 e 2006, os capítulos de maior dinamismo em termos de importação foram as compras do setor automotivo, máquinas e aparelhos e suas peças, aparelhos elétricos e eletrônicos, entre outros. Dentre os principais 25 capítulos listados, em 8 deles se acentuou o crescimento da participação da China em relação ao Brasil.Nas importações de máquinas e aparelhos, entre outros, se observou um crescimento da inserção chinesa, passando de uma participação de 8,2% em 2003 para 13,8% em 2006, enquanto que a participação do Brasil caiu 0,8 pontos porcentuais no mesmo período.Outro caso destacado corresponde às importações de calçados, nas quais a China mostrou um incremento de 13 pontos porcentuais, enquanto o Brasil sofreu uma queda de 20 pontos porcentuais. A substituição de produtos "made in Brasil" por "made in China" é preocupante e o analista dá um conselho ao principal sócio da Argentina: "é preciso ter um monitoramento contínuo sobre as tendências e as mudanças no fluxo de importações da China, assim como os efeitos destas".

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