China supera Japão como 2a maior economia do mundo

A China superou o Japão e tornou-se a segunda maior economia do mundo, como resultado de três décadas de crescimento acelerado.

AILEEN WANG E ALAN WHEATLEY, REUTERS

30 de julho de 2010 | 12h46

Dependendo do ritmo de alta da taxa de câmbio, a China está no caminho para ultrapassar também os Estados Unidos e ocupar o primeiro lugar por volta de 2025, de acordo com projeções de Banco Mundial, Goldman Sachs e outros.

O país chegou perto de superar o Japão em 2009 e a informação de uma autoridade do governo de que isso foi conquistado agora não é uma surpresa.

"A China já é agora, de fato, a segunda maior economia do mundo", disse Yi Gang, chefe do órgão regulador de câmbio, nesta sexta-feira.

Deixar o Japão para trás pode dar a China o direito de vangloriar-se, mas a renda per capta chinesa, de cerca de 3.800 dólares por ano, é uma fração da japonesa ou norte-americana.

"A China ainda é um país em desenvolvimento, e devemos ter sabedoria suficiente para nos conhecermos", acrescentou Yi, quando questionado se já é hora de o iuan se tornar uma moeda internacional.

PODE SER SUSTENTÁVEL?

Espera-se que a economia chinesa tenha crescido 11,1 por cento no primeiro semestre de 2010 na comparação com o mesmo período do ano passado, e provavelmente deve acumular expansão superior a 9 por cento no ano como um todo, de acordo com Yi.

A média anual de crescimento da China tem sido maior que 9,5 por cento desde que o país realizou reformas de mercado em 1978. Mas esse ritmo deve desacelerar com o tempo por uma questão de aritmética, segundo Yi.

Se a China puder ostentar um crescimento nesta década entre 7 e 8 por cento ao ano, ainda será uma forte performance. A questão é se o ritmo pode ser sustentado, afirmou Yi, considerando também as restrições ambientais que o país enfrenta.

Caso a China consiga manter um avanço anual entre 5 e 6 por cento ao ano na década de 2020, o país terá sustentado um rápido crescimento por 50 anos --o que, segundo Yi, seria algo sem precedentes na história.

Em um importente tema, contudo, a China ainda fica para trás: ansiosa para se proteger da volatilidade dos mercados globais, não permite que sua moeda seja livremente comercializada, a não ser para fins de comércio e investimentos estrangeiros diretos.

Yi disse que Pequim não tem um momento certo para tornar o iuan totalmente conversível. "A China é muito grande e seu desenvolvimento é desequilibrado, o que torna esse problema muito mais complicado. É difícil chegar a um consenso sobre isso", disse.

Na mesma linha, a China não tem pressa em transformar o iuan numa moeda global. "Precisamos ser modestos. Se outras pessoas escolhem o iuan como moeda de reserva, não impediremos isso se ocorrer por demanda do mercado. Porém, não nos esforçaremos para promover isso", acrescentou.

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