China tira US$ 30 bi do mercado e eleva yuan

Objetivo é combater a tendência de alta da inflação, que chegou a 8,7%

Cláudia Trevisan, PEQUIM, O Estadao de S.Paulo

20 de março de 2008 | 00h00

A China elevou ontem, pela segunda vez neste ano, o volume de recursos que as instituições financeiras devem deixar imobilizados no banco central, enquanto o yuan teve a maior alta deste mês e atingiu o recorde de 7,063 por dólar. As duas medidas têm o objetivo de combater a inflação por meio da redução da enorme liquidez na economia chinesa. O chamado depósito compulsório subiu de 15% para 15,5%, o que retirou de circulação o equivalente a cerca de US$ 30 bilhões. A autoridade monetária da China enfrenta dificuldade para controlar o excesso de liquidez, alimentado pela entrada crescente de capitais estrangeiros no país. A grande oferta de dinheiro estimula o aumento dos investimentos que, por sua vez, podem levar a um superaquecimento da economia e a um excesso de capacidade produtiva em alguns setores.Esta é a 12ª vez que o banco central eleva o depósito compulsório dos bancos desde o início ano passado. Os dez reajustes de 2007 e outros 5 realizados entre 2003 e 2006 retiraram de circulação 4,3 trilhões de yuans, algo como US$ 550 bilhões, considerando a taxa de câmbio do ano passado.Com a redução na taxa de juros nos Estados Unidos, o banco central da China enfrenta dificuldade para elevar os juros dentro do país. O aumento da diferença entre a taxa dos dois países tende a estimular ainda mais a entrada de capital estrangeiro na China, o que agravaria o problema do excesso de dinheiro em circulação.Em janeiro e fevereiro, a China recebeu US$ 18,3 bilhões em investimentos estrangeiros, uma alta de 75,2% em relação a igual período do ano passado.Com o objetivo de manter a cotação do yuan sob controle, o banco central é obrigado a comprar os dólares que entram no país. Para isso, emite yuans, o que eleva a quantidade de dinheiro em circulação. A explosão monetária é evitada com o lançamento de títulos, que são comprados por investidores com os yuans excedentes. Mas essa operação, chamada de esterilização, não é capaz de evitar a expansão monetária acima do desejado.As operações de compra de dólares pelo banco central levaram as reservas internacionais do país ao recorde de US$ 1,53 trilhão, valor comparável ao PIB brasileiro. A entrada de dólares decorre do enorme superávit comercial - que ficou em US$ 262 bilhões em 2007 -, dos investimentos estrangeiros diretos e de capitais especulativos.Diante da restrição para elevar os juros, o banco central tem ampliado o papel da valorização do yuan como instrumento de política monetária. Desde o início de 2008, a moeda chinesa já se valorizou 3,4%, o equivalente à metade da alta registrada em todo o ano passado. A inflação está em alta desde meados de 2007. Em fevereiro chegou a 8,7%, maior índice em quase 12 anos.

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