China ultrapassou os EUA como principal mercado do mundo, diz Goldman Sachs

Segundo economista-chefe de banco de investimento, varejo chinês cresce mais do que a queda de consumo no mercado norte-americano

Adriana Chiarini e Jacqueline Farid, da Agência Estado,

22 de fevereiro de 2010 | 13h44

O economista-chefe do Goldman Sachs, Jim O'Neill, considera que a China ultrapassou os Estados Unidos como principal mercado do mundo. De acordo com ele, desde o início de 2007, as vendas de varejo na China estão crescendo mais do que a queda de consumo que houve nos Estados Unidos nesse período. O próprio economista, que fez uma apresentação nesta segunda-feira no seminário "Uma Agenda para os Bric", no Rio, admitiu que a sua conclusão é controvertida.


Segundo O'Neill, a maneira de ver esse crescimento do mercado chinês, ultrapassando o americano, depende da forma de cálculo do valor da moeda em relação ao poder de compra nos dois países. Ele frisou que "os Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) têm um papel no ajuste mundial diante dessa redução quase inevitável do consumo americano" em consequência da crise mundial.


Ele observou que Brasil, Rússia e Índia têm uma força muito menor do que a da China, mas ressaltou que "o mundo está sobre dois cilindros e não um: os Bric e os Estados Unidos".


O economista contou que é questionado se o R de Rússia deveria fazer parte do grupo de países com grande população, território e potencial de participação na economia mundial. No entanto, não tem mais ouvido dúvidas sobre o Brasil. Para ele, o País tem o mais alto potencial de crescimento sustentável, segundo um índice da Goldman Sachs, em que o Brasil aparece pontuado com 5,3, seguido pela China, com 5,2.


O'Neill contou ainda que, na sexta-feira, recebeu uma ligação do economista brasileiro Paulo Leme, que também integra o Goldman Sachs, sugerindo aumento da previsão de crescimento do Brasil para 6,4%, mas não detalhou o período. O' Neill disse que já queria aumentar há algum tempo para 7%.

 

Futuro do Yuan

 

Tanto O'Neill como o sócio fundador da Gávea Investimentos, Armínio Fraga, também presente no evento, acreditam que a moeda chinesa (Yuan) tende a se valorizar no futuro. De acordo com O'Neill, a taxa de câmbio chinesa já cresceu 20% nos últimos cinco anos e está "perto do valor justo". Ele considera que "as pessoas do Ocidente estão exagerando a questão da taxa de câmbio chinesa''.

O economista do Goldman Sachs avalia que a prioridade da política econômica chinesa é controlar a inflação local e, por isso, a tendência é que as autoridades naquele país ofereçam mais flexibilidade para que a taxa de cambio. Segundo ele, quando os chineses pensam no futuro é em termos muito mais longos do que os Ocidentais.

No mesmo sentido, Armínio Fraga considera que gradualmente a China terá uma moeda forte. "Até para que possam ter um instrumento de política monetária tradicional, que hoje, eles não tem", disse. Fraga disse não ver a China tendo como referência o dólar no futuro. "Todos os países que se desenvolveram viram suas moedas se fortalecerem ", afirmou.

O'Neill observou ainda que as mudanças no câmbio na China precisam ser vistas como boas para o povo chinês e não como algo para ajudar Obama (Presidente dos Estados Unidos), Barak Obama) ou Bruxelas (sede administrativa da União Europeia)".

De acordo com ele,"não ajuda nada quando Bruxelas ou Washington fazem tanto ruído com a taxa de câmbio chinesa. Os dois economistas participaram do seminário "Uma agenda para os Brics", no Rio de Janeiro.

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