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China vai comprar menos em 2009

Balança brasileira sentirá os efeitos da desaceleração do maior destino de suas exportações de soja e minério de ferro

Cláudia Trevisan, O Estadao de S.Paulo

22 de novembro de 2008 | 00h00

Depois de um crescimento médio anual de 40,6% desde o início da década, as exportações brasileiras, em valor, para a China devem diminuir no próximo ano, em razão da forte queda no preço internacional das commodities, em especial minério de ferro e petróleo, que representam quase 40% das vendas para o país asiático.A alta das cotações desses produtos antes do agravamento da crise internacional, em meados de setembro, foi a principal responsável pelo aumento de 67,3% das exportações brasileiras para a China até setembro, aponta estudo do Conselho Empresarial Brasil-China. O volume de petróleo embarcado, por exemplo, subiu apenas 4,6%, enquanto o valor teve alta de 90,6%. No caso do minério de ferro, a alta de preços respondeu por aumento de 40% nos valores exportados, apesar de a quantidade ter crescido só 3,8% em relação a igual período do ano anterior.Além da queda nas cotações, os embarques de soja vão cair em razão do aumento da safra chinesa, que deve ter um ano excepcional. A retração já se iniciou em outubro, com redução de 48% das importações do produto. O Centro de Informação de Grãos e Óleo da China prevê que a colheita de soja de 2008 será 29,7% maior que a do ano passado, o que vai reduzir as compras do exterior. O país asiático é o maior destino das exportações brasileiras de soja, que ficaram em segundo lugar nos embarques no ano passado, depois do minério de ferro.A devastação provocada pela crise financeira global levou os países desenvolvidos à recessão e desacelerou o ritmo de crescimento dos emergentes, incluindo a China. Com expansão média anual de 9,8% nas últimas três décadas, o país asiático foi o principal responsável pelo boom no preço das commodities registrado nesta década, que beneficiou exportadores brasileiros de minério de ferro, soja e petróleo, bens que respondem por dois terços de nossas vendas à China.A crise derrubou a cotação desses produtos e terá impacto direto na balança comercial do próximo ano. O barril do petróleo chegou a ser cotado a US$ 150 na metade do ano e agora está em US$ 60. Na semana passada, a Agência Internacional de Energia reduziu sua previsão de preços para o próximo ano de US$ 110 para US$ 80.A China já é o terceiro maior cliente da Petrobrás e suas compras de petróleo somaram US$ 1,25 bilhão no período de janeiro a setembro, 90,6% a mais que em igual período de 2007.O aumento da demanda chinesa transformou o minério de ferro no principal produto de exportação do Brasil, com vendas totais de US$ 10,6 bilhões no ano passado, ou 6,6% das vendas. Desse valor, a China ficou com US$ 3,71 bilhões, o equivalente a 35%.As fabricantes de aço chinesas, que são as principais clientes da Vale, enfrentam quedas brutais na sua produção e estão com estoques crescentes, o que as levou a interromper as compras de minério de ferro.Os preços dos contratos de longo prazo são negociados para um período de um ano e, em 2008, tiveram reajuste de 70%. A previsão de analistas é que os contratos para 2009 terão a primeira queda de preço desde 2002. Não há consenso sobre o tamanho da redução, mas as apostas são de que ela será de no mínimo 20%. A cotação à vista do minério de ferro perdeu dois terços de seu valor desde o começo de 2008 e está bem abaixo do valor fixado nos contratos de longo prazo. Zou Jian, diretor da Associação Chinesa de Ferro e Aço, afirmou na semana passada que os preços do próximo ano vão cair, mas não fez previsão de porcentuais. Em sua avaliação, a importação de minério de ferro pela China em 2008 será de 435 milhões de toneladas, um aumento de 14% em relação ao ano passado. Sua previsão é que o volume fique inalterado no próximo ano. Se o preço cair, isso significa que as exportações brasileiras também terão redução.O pacote de investimentos lançado pelo governo chinês há uma semana deve evitar uma queda ainda mais acentuada das cotações, na medida em que aumentará a demanda por aço e ferro. O principal foco das medidas é o investimento em infra-estrutura, com a construção de ferrovias, estradas, aeroportos e portos. Também estão previstos gastos em casas populares e nas áreas de saúde e educação. Mas analistas afirmam que ainda não está claro quanto do pacote de US$ 586 bilhões representa gastos extras, que ainda não estavam previstos nos planos de longo prazo do governo chinês. Isso é essencial para definir o impacto adicional que o pacote terá sobre o crescimento.

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