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China vai comprar soja transgênica do Brasil

Governo obtém aval para exportação de três variedades de soja resistente a herbicidas, o que deve reduzir custos de produtores na safra 2013/2014

Venilson Ferreira / Brasília, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2013 | 02h02

O governo brasileiro obteve ontem da China um aval para exportar três variedades de soja transgênica mais resistentes a herbicida, o que deve reduzir custos dos produtores nacionais na safra 2013/2014. A informação foi dada ontem pelo ministro da Agricultura chinês, Han Changfu, ao ministro brasileiro, Antonio Andrade, em Pequim. Segundo o ministério, os fazendeiros poderão plantar a Intacta RR2 PRO, que possui resistência a lagartas, e a CV127 e a Liberty Link, mais tolerantes a defensivos.

Segundo nota do ministério, o ministro brasileiro disse ao colega chinês que, por ser tropical, a agricultura brasileira estaria mais sujeita a pragas. Daí a necessidade de atualizar o tipo de semente no plantio. Dados da Pasta indicam que em abril, o Brasil vendeu 5,6 milhões de toneladas de soja para a China, ao valor de US$ 2,97 bilhões.

O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Glauber Silveira, calcula que já no primeiro ano a área cultivada com soja transgênica de segunda geração (RR2) da Monsanto deve atingir 5% do total a ser semeado a partir de setembro de 2013.

Custos. Silveira comemorou a liberação pelo governo chinês da soja resistente a lagartas e tolerante a herbicidas, por causa da redução dos gastos com agrotóxicos para combater as pragas e perspectiva de maior produtividade. "O ministro Antônio Andrade me ligou hoje (ontem) cedo, lá de Pequim, para dar a boa notícia", afirmou Silveira, que se disse surpreso com o êxito do ministro, lembrando que esteve na China em abril para tratar do assunto e encontrou dificuldades para avançar nas negociações.

Os produtores estavam preocupados com a demora na liberação pelo governo chinês, porque uma possível "contaminação" das cargas com o novo transgênico poderia criar problemas comerciais com a China, que responde por 70% da soja exportada pelo Brasil.

Silveira lembrou que no ano passado a Monsanto teve de descartar 500 mil sacas de sementes de soja que estavam prontas para serem comercializadas. As estimativas de mercado são de que a empresa tenha de 2 a 3 milhões de sacas de sementes para vender na próxima safra.

Royalties. O presidente da Aprosoja Brasil calcula que na safra 2014/15 a área com a RR2 deve atingir de 20% a 25% do cultivo, mas o avanço dependerá da relação custo/benefício. Ele diz que os royalties pela nova soja vão triplicar em relação aos R$ 35 por hectare para o transgênico de primeira geração e acrescentou que a Aprosoja pediu estudos para avaliar a evolução das lavouras até a colheita para saber se compensa investir na nova tecnologia.

Vale lembrar que a cobrança de royalties pelo uso da soja de primeira geração pela Monsanto foi derrubada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). A empresa deve voltar a recorrer.

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