Nicolas ASFOURI / AFP
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China vai cortar tarifas pela metade sobre US$ 75 bi em importações dos EUA

Medida faz parte da fase 1 do acordo comercial entre os países, mas também é vista como uma ação do governo para ampliar a confiança em meio ao avanço do coronavírus

Reuters

06 de fevereiro de 2020 | 09h16

PEQUIM – A China informou nesta quinta-feira, 6, que vai cortar pela metade tarifas adicionais aplicadas a 1.717 produtos dos Estados Unidos no ano passado, após a assinatura da fase 1 do acordo que garantiu uma trégua na guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo. 

Embora o anúncio retribua ao compromisso dos EUA segundo o acordo, também é visto por analistas como uma ação de Pequim para ampliar a confiança em meio ao surto de vírus que afetou as empresas e o sentimento do investidor. A epidemia do coronavírus já matou 563 pessoas na China e gerou restrições ao movimento de pessoas e ao transporte, prejudicando muitos negócios.

Jogando dúvidas sobre o cenário imediato, entretanto, está a perspectiva levantada na mídia local de que Pequim pode invocar uma cláusula relacionada a desastres no acordo comercial, o que pode permitir que evite repercussões mesmo se não conseguir cumprir totalmente o objetivo de compras de produtos dos EUA e serviços para 2020.

O Ministério das Finanças da China afirmou em comunicado que, a partir das 2h01 (horário de Brasília) de 14 de fevereiro, tarifas adicionais aplicadas sobre alguns produtos serão cortadas de 10% para 5% e outras de 5% para 2,5%.

O ministério não informou o valor dos produtos afetados pela decisão, mas os produtos que se beneficiam da nova regra fazem parte dos US$ 75 bilhões em produtos que a China anunciou no ano passado que receberiam tarifas de 5% a 10%, o que entrou em vigor em 1 de setembro.

Em comunicado separado, o Ministério das Finanças disse que as reduções das tarifas correspondem àquelas anunciadas pelos EUA sobre os produtos chineses, que também estão programadas para 14 de fevereiro.

Outros ajustes dependerão da evolução da situação econômica e comercial bilateral, disse o ministério.

Efeito positivo no mercado

Os contratos futuros de minério de ferro na China recuperaram-se de três dias seguidos de queda, após o anúncio do governo chinês. O contrato mais ativo do minério na Bolsa de Dalian encerrou em alta de 0,9%. Na Bolsa de Cingapura, o contrato para abril subiu 1,1%.

A notícia do corte de tarifas também repercutiu bem no mercado financeiro chinês. O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, avançou 1,86%, enquanto o índice de Xangai subiu 1,72%.

Durante o pregão, ambos os índices atingiram o nível mais alto desde 23 de janeiro, pouco antes de os mercados fecharem para o ano novo  lunar, quando o coronavírus se espalhou mais.

Outras Bolsas da Ásia fecharam no azul nesta quinta-feira. Em Tóquio, o índice Nikkei avançou 2,38%; em Hong Kong, o índice Hang Seng subiu 2,64%; e, em Seul, o Kospi teve valorização de 2,88%. 

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