China vai investigar frango e autopeças dos EUA

A China abriu ontem investigação sobre as importações de carne de frango e produtos automotivos dos Estados Unidos, após a administração Barack Obama decidir impor tarifas sobre as compras de pneus chineses. Sinalizando que o país poderá retaliar os EUA, o Ministério de Comércio da China disse, por meio de um comunicado, que está investigando reclamações feitas por empresas domésticas de que alguns produtos norte-americanos estariam sendo vendidos a preços abaixo do custo no mercado chinês ou estariam sendo beneficiados por subsídios.

ANA CONCEIÇÃO, Agencia Estado

14 de setembro de 2009 | 10h46

Segundo a rádio estatal, a investigação "obviamente não é uma medida de retaliação, mas uma resposta às preocupações da indústria doméstica". Na sexta-feira à noite, o governo dos EUA decidiu taxar as importações de pneus de carros de passageiros e caminhões leves da China em 35% no primeiro ano de imposição da tarifa, a partir de 26 de setembro. A alíquota cairá a 30% no segundo ano e a 25% no terceiro. A decisão foi tomada após a Comissão de Comércio Internacional dos EUA concluir que o aumento das importações de pneus prejudicou o mercado norte-americano. O governo chinês respondeu rapidamente ao anúncio, dizendo que se opõe fortemente ao que chamou de "um ato grave de protecionismo comercial."

A decisão sobre os pneus ocorreu uma semana antes do previsto e depois que o governo dos EUA impôs tarifas sobre as importações de certos tubos de aço da China. Ainda no sábado, o Ministério de Comércio da China disse que se reservará o direito de relatar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC). Yao Jin, porta-voz do Ministério, afirmou que "(a iniciativa dos EUA) não apenas viola as regras da OMC, mas vai contra as promessas do Grupo dos 20 e configura um abuso comercial, além de abrir um mau precedente em meio à crise econômica mundial."

Yao acrescentou que a decisão dos EUA colocará o protecionismo na agenda da reunião do G-20 (grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo), que ocorrerá em Pittsburgh (EUA), em menos de duas semanas. As informações são da Dow Jones.

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