China vai manter crescimento numa 'faixa razoável'

Primeiro-ministro Li Keqiang também se comprometeu com a estabilidade de preços e pela realização de reformas econômicas

PEQUIM, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2014 | 02h08

O primeiro-ministro da China, Li Keqiang, prometeu que vai manter o crescimento econômico em uma "faixa razoável" e se comprometeu novamente com a estabilidade de preços. As declarações foram feitas em entrevista para uma rádio estatal, segundo informou o site 'Economic Times'. O premiê chinês também reiterou que vai continuar pressionando para que as reformas da China sejam levadas adiante.

O crescimento da economia chinesa parece ter desacelerado nos dois primeiros meses de 2014, com os investimentos, as vendas no varejo e a produção industrial perdendo força. Em recente entrevista, Li já havia sinalizado que a meta de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) era flexível. "Nós podemos tolerar um crescimento um pouco maior ou um pouco menor", disse o premiê chinês após o encerramento do anual Congresso Nacional do Povo.

Os esforços das autoridades da China para limitar a atividade dos especuladores que apostam em ganhos cambiais estão mostrando os primeiros sinais de sucesso, uma vez que a entrada de capital no país desacelerou acentuadamente e o yuan voltou a bater o seu menor nível em 11 meses frente ao dólar.

Segundo o Banco do Povo da China (PBoC, o BC chinês), o montante de capital estrangeiro que entrou na China somou US$ 21,1 bilhões em fevereiro. O resultado do mês passado foi o mais baixo em cinco meses.

Analistas disseram que isso reflete um movimento do governo chinês que começou no mês passado para enfraquecer a moeda chinesa e para estimular a volatilidade, de duas vias, no câmbio com o objetivo de limitar a entrada de capital. O chamado "dinheiro quente", ou capital especulativo, vindo de investidores estrangeiros é um problema, uma vez que impulsiona os preços dos ativos como imóveis e acrescenta riscos ao sistema bancário.

Ontem, o yuan fechou em baixa ante o dólar, recuando pela terceira sessão consecutiva desde que o BC do país decidiu ampliar a banda de flutuação da moeda de 1% para 2%, no último fim de semana. Com isso, o yuan apagou a maior parte dos ganhos que acumulou frente ao dólar no ano passado. No mercado de balcão, o dólar chegou a atingir 6,2040 yuans, maior nível desde 8 de abril. No fim do dia em Xangai, a moeda norte-americana havia reduzido parte dos ganhos e estava em 6,1965 yuans, acima de 6,1920 yuans no fechamento de ontem.

O crescente número de calotes observados na China também é considerado por analistas um teste crucial para o governo do país, que deve encontrar um ponto de equilíbrio entre limitar os riscos do sistema bancário paralelo (shadow banking) e evitar o contágio no setor financeiro, de acordo com economistas do National Australia Bank (NAB).

Após o calote de bônus da Shanghai Chaori Solar Energy Science & Technology na semana passada, a Zhejiang Xingrun Real Estate Company não conseguiu pagar quase US$ 400 milhões em empréstimos bancários recentemente. Contudo, os economistas do NAB disseram que esses acontecimentos podem não refletir riscos sistêmicos. Para eles, de fato, o que prevaleceu nestes calotes foram "fracas práticas de negócio".

Caso esse processo seja gerenciado de maneira correta, "essa bancarrota pode resultar em um foco melhorado sobre riscos de ativos e alocação de financiamento, (...) o que pode contribuir para um setor financeiro mais forte no futuro", afirmaram. "As tentativas de limitar o setor de shadow banking podem levar a mais falências neste ano", segundo a NAB. A consolidação de cerca de 60 mil incorporadoras imobiliárias na China também seria algo "positivo no longo prazo" para a economia, acrescentou. / MARCELO RIBEIRO SILVA, COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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