China vai reabrir mercado para a carne brasileira no mês que vem

Exportação para o país asiático deve pressionar preços e ter impacto na inflação, prevê ministro da Agricultura

NIVALDO SOUZA, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2014 | 02h05

O ministro da Agricultura, Neri Geller, informou ontem que a retomada das exportações de carne bovina para a China deve ocorrer na primeira quinzena de dezembro, e admitiu que a demanda adicional vai provocar impacto no preço da proteína no mercado nacional, pressionando a inflação.

Ele relatou detalhes da viagem que fez na semana passada ao país asiático, afirmando que conseguiu destravar o processo, já que a liberação das importações havia sido anunciada em julho pelo governo chinês. "Fomos a Pequim para consolidar (a suspensão do embargo) e não ficar só no discurso sobre a questão da abertura de mercado", disse. A China proibiu a importação de carne brasileira em 2012. O Brasil exportou US$ 74,87 milhões em carne bovina para o país naquele ano.

Agora, o ministro fala em até US$ 1 bilhão na corrente exportadora com a reabertura de mercado. "É um mercado promissor e temos um potencial de aumentar as exportação para China de US$ 700 milhões a US$ 1 bilhão por ano", calculou.

Segundo Geller, o governo chinês também autorizou a liberação de dez plantas industriais como exportadoras credenciadas e será a partir destes frigoríficos que a carne brasileira chegará à China. Ele disse que só na primeira semana de dezembro serão conhecidas as unidades das empresas credenciadas.

Inflação. O ministro minimizou eventuais impactos do aumento das exportações de carne na inflação, no momento em que preço da proteína animal tem pesado no bolso do consumidor brasileiro. "A questão de inflação pode aumentar um pouquinho, mas não vai pesar muito não", avaliou. "Não temos preocupação com relação a isso", disse. Apesar da previsão otimista, o Geller reconheceu que para o mercado interno "o preço pode num primeiro momento subir um pouco".

Mas ele apontou a capacidade dos frigoríficos de aumentar a produção como saída para o efeito inflacionário que um aumento nas vendas à China pode trazer. "O governo tem de fazer a sua parte de viabilizar isso no longo prazo", indicou.

Segundo o ministro, o País tem rebanho bovino para atender as exportações no médio prazo e os frigoríficos podem fazer novos investimentos, com acesso a linhas de financiamento do governo federal. "Esse potencial de crescimento é muito bom. Se houver demanda, a oferta se constrói com facilidade. Nenhum país tem esse potencial." Geller comentou a possibilidade de a Austrália aumentar as exportações para China.

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