China vê PIB desacelerar, mas teme aumento da inflação

O crescimento do PIB chinês foi de 9,6% entre julho e setembro. [br]Governo teme que a inflação supere os 3%

Cláudia Trevisan ENVIADA ESPECIAL A GYEONGJU, COREIA DO SUL, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2010 | 00h00

A economia chinesa desacelerou pelo segundo trimestre consecutivo no período de julho a setembro, quando cresceu 9,6%, mas ainda enfrenta os riscos de inflação, surgimento de bolhas nos mercados imobiliário e de ações e aumento dos créditos irrecuperáveis no sistema financeiro, disse o presidente do banco central, Zhou Xiaochuan.

Enquanto o índice de expansão do PIB indica que a economia faz pouso suave após crescer 11,9% no primeiro trimestre e 10,3% no segundo, a inflação ameaça superar a meta oficial de 3% para 2010 e complicar a administração da política monetária.

O Índice de Preços ao Consumidor ficou em 3,6% em setembro, o maior patamar em dois anos, e o preço dos imóveis continuou a registrar forte alta apesar das medidas de contenção do mercado imobiliário adotadas pelo governo a partir de abril.

Xiaochuan apontou as ameaças à estabilidade da economia chinesa em discurso proferido segunda-feira durante conferência em Xangai e publicado ontem no website do Banco do Povo da China.

Na terça-feira, a instituição anunciou o primeiro aumento dos juros em quase três anos, de 0,25 ponto porcentual, decisão que provocou quedas nas bolsas de valores ao redor do mundo em razão do temor de desaceleração da economia chinesa.

Muitos analistas acreditam que a alta das taxas é indício da confiança do governo em relação à continuidade do crescimento, depois de meses de esforço para conter o impacto negativo da crise financeira mundial iniciada em setembro de 2008.

"É muito pouco e muito tarde", ressalta o economista norte-americano Michael Pettis, em relação ao aumento dos juros. Professor de Finanças Internacionais da Universidade de Pequim, Pettis observa que a taxa de juros real da China está negativa desde o ano passado, quando a inflação começou a acelerar. "Na prática, os juros hoje estão mais baixos do que há 6 ou 12 meses." Editorial publicado ontem no jornal oficial China Daily afirma que a alta de juros demonstra a determinação do governo de conter a inflação, provocada em parte pelo aumento de dinheiro em circulação na economia. "No longo prazo, outras altas serão necessárias para prevenir o risco de uma perigosa bolha imobiliária na China", diz.

Apesar de registrar desaceleração desde abril, quando chegou a 12,8%, a alta nos preços dos imóveis continua em patamar elevado. Em setembro, foi de 9,1%, pouco abaixo dos 9,3% de agosto. Além da valorização, outros dados indicam que o setor continua aquecido. Os investimentos aumentaram 34% nos nove meses do ano, para 3,351 trilhões de yuans (US$ 503,67 bilhões).

O índice supera em dez pontos porcentuais a expansão de 24% no investimento total no período de janeiro a setembro, que alcançou 19,223 trilhões de yuans (US$ 2,89 trilhões), valor equivalente a 72% do PIB chinês.

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