China vira 5º maior investidor global

País sobe do 12º para o 5º lugar entre as nações que mais realizam investimentos produtivos no exterior e se prepara para ir além

Cláudia Trevisan, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2010 | 00h00

A China subiu no ano passado da 12.ª para a 5.ª posição no ranking das nações que mais fizeram investimentos produtivos em outros países, com um total de US$ 56,5 bilhões, e deverá aumentar ainda mais os negócios fora de suas fronteiras nos próximos anos. "Isso é apenas o começo", afirmou há poucos dias Shen Danyang, vice-diretor do Departamento de Imprensa do Ministério do Comércio.

Segundo ele, o investimento chinês em outros países completou em 2009 oito anos consecutivos de expansão, período no qual o crescimento médio foi de 50% ao ano. Apesar disso, os US$ 56,5 bilhões representaram pouco mais de 5% do Investimento Estrangeiro Direto (IED) global no ano passado, que somou US$ 1,1 trilhão.

A cifra ainda é pequena quando comparada ao ritmo de ascensão do Produto Interno Bruto (PIB) da China e ao apetite de suas companhias por oportunidades de expansão no exterior, ponderou Shen. "O ritmo de crescimento (dos investimentos) nos próximos anos será muito mais alto do que o registrado em anos anteriores."

Enquanto o mundo mergulhou nos últimos dois anos na mais grave crise em sete décadas, a China aproveitou a queda de preços globais e saiu em busca de bons negócios, fechando operações que vão da compra da sueca Volvo à aquisição de minas e redes de transmissão de eletricidade no Brasil.

Se forem considerados apenas os investimentos produtivos não financeiros, a China ficou em sexto lugar no ranking de 2009, atrás de Estados Unidos (US$ 248,07 bilhões), França (US$ 147,16 bilhões), Japão (US$ 74,67 bilhões), Alemanha (US$ 62,71 bilhões) e Hong Kong (US$ 52,27 bilhões), segundo dados da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad).

Por esse critério, os investimentos chineses somaram US$ 48 bilhões, com retração de 9% em relação ao ano anterior. No mesmo período, o fluxo global de IED despencou 43%. Em 2008, o volume de recursos que saíram da China para atividades produtivas no exterior havia dado um salto de 132%, para US$ 52,15 bilhões.

Política de expansão. Mesmo com a recuperação dos preços dos ativos, o apetite chinês se mantém. Instituto de pesquisa ligado ao governo de Pequim estima que o fluxo de investimentos externos do país chegará a US$ 100 bilhões em 2013 e poderá igualar o que a China receberá em IED dois anos mais tarde.

O governo de Pequim adotou há quase uma década a política de internacionalização das empresas do país, batizada de "go global", mas o movimento só ganhou impulso nos últimos dois anos, com a crise global.

A maioria das transações está relacionada à compra de fontes de recursos essenciais ao crescimento do país, como minérios e petróleo, mas os chineses também querem comprar tecnologias avançadas, ter acesso a redes de distribuição para suas exportações e atuar na indústria.

Como em todas as regiões, a presença da China na América Latina também está em alta desde 2008, e a região assistiu nos últimos meses a uma sucessão de anúncios de negócios bilionários, incluindo o Brasil.

"Durante a crise, muitos produtores de commodities da América Latina não tinham acesso ao mercado de capitais, enquanto os investidores de EUA e Europa ficaram sem recursos para investir. As duas coisas, aliadas à crescente demanda da China, levaram ao aumento dos investimentos do país asiático, que tinha dinheiro para realização de negócios", diz Erik Bethel, CEO do SinoLatin Capital, banco de investimentos especializado em negócios entre as duas regiões.

A queda no preço dos ativos também teve papel fundamental para o aumento da presença chinesa na região, observa Bethel. Apesar disso, ele acredita que os negócios tendem a aumentar ainda mais no futuro, mesmo com a recuperação dos preços.

A principal razão é o forte ritmo de crescimento da China, que continuará a ser alimentado pelo maciço processo de urbanização. "Cerca de 400 milhões de chineses vão se mudar do campo para as cidades nos próximos 20 anos e esse processo vai aumentar a demanda por ferro, aço, petróleo, soja, plástico e uma infinidade de outras coisas."

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