Renda extra

Fabrizio Gueratto: 8 maneiras de ganhar até R$ 4 mil por mês

China vira a 5ª maior investidora do mundo

País comprou mais terras, jazidas e empresas nos últimos 4 anos e ganhou 13 posições no ranking dos maiores investidores globais

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

25 de dezembro de 2010 | 00h00

A China acelera seu avanço na compra de ativos, jazidas, terras e empresas pelo mundo, invertendo sua posição na economia. Ontem, a China anunciou que já se tornou a quinta maior investidora no planeta e que começa a deixar para trás o perfil apenas de ser um destino de recursos de multinacionais para também avançar em aquisições no exterior.

Dados oficiais do governo apontam que, entre 2006 e 2010, o país já investiu US$ 216 bilhões pelo planeta. Apenas em 2010, a compra de minas de ferro, de poços de petróleo, de empresas e de terras para plantar deve atingir US$ 50 bilhões.

O volume é 3,5 vezes superior ao que o governo havia estabelecido como meta em 2006. Com uma expansão em suas aquisições pelo mundo se elevando a um ritmo médio de 38,8% ao ano, a China passou de 18º maior investidor do planeta entre 2001 e 2005 para o 5º lugar.

Avanço na crise. Enquanto o fluxo de investimentos diretos no mundo esteve estagnado em 2010, o avanço chinês continuou, ainda que a uma taxa de um pouco mais de 10%. Em 2009, a China investiu no exterior US$ 43 bilhões.

Neste ano, um terço dos recursos foram usados para a aquisição de empresas no exterior. No total, foram US$ 17,5 bilhões usados na compra de empresas estrangeiras pelos chineses.

Grande parte está sendo usada para garantir não apenas importação de commodities. Mas na compra das próprias fontes do abastecimento de energia, minérios e alimentos. A meta, assim, é garantir que a taxa de crescimento chinesa não seja freada pela falta de matéria-prima.

A China se transformou em 2010 na segunda maior economia do mundo, no maior exportador do planeta. E, da Ásia à África, passando pela América Latina e até a Europa, o desembarque dos investimentos chineses já se faz notar de forma clara.

O avanço inclui desde minas de cobalto, cobre ou ouro na África, terras aráveis no Brasil, empresas à beira da falência na Europa ou poços de petróleo no Oriente Médio. Hoje, a China já investe por ano no exterior mais do que o Brasil recebeu no ano de 2010 de todos os seus parceiros internacionais, cerca de US$ 33,7 bilhões.

Os números chineses ainda estão distantes da liderança americana. Apenas em 2004, por exemplo, os americanos investiram mais que a China em todo os últimos cinco anos. Mas a diferença começa a cair de forma importante, principalmente depois da crise que atingiu a Europa e os EUA a partir de 2008. Em 2009, os americanos se mantinham ainda na liderança, seguidos por Franca, Japão e Alemanha.

Estratégia. Nos últimos dez anos, a China foi de forma sucessiva o mercado preferido de multinacionais no exterior, de olho no mercado consumidor local, mas especialmente em produzir a custos baixos e conseguir reexportar ao exterior de forma mais competitiva. Em 2010, a estimativa do governo chinês é de que receberá US$100 bilhões em investimentos estrangeiros.

Mas o governo chinês tinha outro plano: garantir que essa chegada de investimentos significasse também a transferência de tecnologia para, em um segundo momento, começar a buscar sua própria competitividade. Com reservas de US$ 2,6 trilhões e agora com tecnologia, o governo colocou em pratica uma política para incentivar empresas nacionais a investir no exterior.

Para os próximos cinco anos, a meta é a de acabar com a diferença entre os investimentos recebidos e os feitos no exterior e a ordem das autoridades é para que as empresas chinesas acelerem sua internacionalização. Até 2015, a esperança é que, para cada dólar que entra no país vindo de uma empresa estrangeira, uma companhia chinesa fará o mesmo no exterior.

Zonas industriais. O ministro do Comércio da China, Chen Deming, anunciou que, para 2011, o governo irá implementar novas medidas para facilitar a ida de empresas chinesas ao exterior, promover construtoras do país pelo mundo e estabelecer zonas industriais chinesas em terceiros países.

A China admite que isso deve ajudar a reduzir a tensão comercial com diversos governos que acusam Pequim de apenas exportar a seus mercados, sem nada em troca.

Mas, para a China, o avanço pelo mundo será o próximo passo natural de seu desenvolvimento econômico.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.