China volta a criticar novo IPI de importados

N OMC, ministro chinês condiciona novos investimentos no País a queda de tributo

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA , O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2011 | 03h07

O governo da China condiciona investimentos no setor automotivo no Brasil a uma revisão do IPI aos carros importados. Ontem, o ministro de Comércio da China, Demin Chen, insistiu que a avaliação de empresas sobre potenciais investimentos no País dependerão do que ele classifica como "tarifas excessivas" estipuladas pelo Brasil.

Nos últimos meses, o Brasil abriu uma crise com uma série de governos ao estabelecer condições que exigem que montadoras invistam no País. Uma delas é garantir impostos mais favoráveis a empresas automotivas que garantam um maior número de componentes fabricados no Brasil no produto final. O tema chegou à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Chen, está em Genebra para a reunião ministerial da OMC, fez questão de alertar que Pequim vai considerar com cuidado essas exigências antes de tomar uma decisão de realizar novos investimentos.

Questionado se achava que as condições impostas pelo Brasil eram rígidas demais para atrair investidores, Chen foi irônico: "Você não ficou sabendo que o Brasil recentemente elevou suas tarifas ?" Há dois dias, ele alertou que a China iria "defender seus interesses".

Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, as empresas chinesas estão de fato aguardando uma definição sobre qual será o regime automotivo brasileiro a partir de 2013 para decidir seus investimentos: " Mas elas virão."

Chen não parecia adotar o mesmo tom. A preocupação em relação às condições para entrar no mercado brasileiro faz parte da nova política comercial chinesa. Segundo Chen, a meta não é mais focar os esforços em aumentar as vendas aos países ricos. Pequim estabeleceu como nova prioridade justamente os mercados emergentes.

Câmbio. Enquanto a China faz suas ameaças, o Brasil também alerta que nem toda a pauta bilateral é satisfatória ao País. Ontem, no discurso de abertura da reunião da OMC, o chanceler Antonio Patriota, fez questão de apontar que a guerra das moedas " interfere negativamente" no comércio, um assunto que a China não quer sequer debater.

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