Kim Kyung-Hoon
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China voltou atrás em quase todos os aspectos do acordo comercial com os EUA

Segundo fontes ouvidas pela Reuters, Pequim enviou a Washington um documento com mudanças sistemáticas ao esboço de quase 150 páginas do acordo comercial entre os dois países

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2019 | 10h23

WASHINGTON/PEQUIM - Pequim enviou a Washington na última sexta-feira, 3, mudanças sistemáticas ao esboço de quase 150 páginas do acordo comercial que acabaria com meses de negociações entre as duas maiores econômicas do mundo. Segundo fontes ouvidas pela Reuters, no documento, a China voltava atrás em itens que afetaram as principais demandas dos Estados Unidos.

Em cada um dos sete capítulos do esboço do acordo comercial a China retirou seus compromissos para mudar leis que resolveriam as principais reclamações que levaram os EUA a lançarem uma guerra comercial: roubo de propriedade intelectual e segredos comerciais dos EUA, transferências forçadas de tecnologia, acesso a serviços financeiros e manipulação cambial.

O presidente americano, Donald Trump, reagiu no Twitter no domingo, 5, com a promessa de elevar as tarifas sobre 200 bilhões de dólares em produtos chineses de 10 a 25 por cento na sexta-feira — calculado para acontecer no meio de uma visita do vice-premiê chinês, Liu He, a Washington para continuar com as negociações comerciais.

A retirada de linguagem legal vinculativa do esboço afetou diretamente a mais alta prioridade do representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer —para quem mudanças nas leis chinesas são essenciais para verificar o cumprimento das medidas após anos do que autoridades norte-americanas chamaram de promessas vazias de reformas.

Lighthizer pressionou muito por um regime de cumprimento mais parecido com aqueles usados para sanções econômicas —como as adotadas sobre a Coreia do Norte ou Irã — do que um acordo comercial típico. 

Processo de negociação

Porta-vozes da Casa Branca, do Representante Comercial dos EUA e do Departamento do Tesouro dos EUA não responderam imediatamente aos pedidos de comentários. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Geng Shuang, disse em uma entrevista nesta quarta-feira, 8, que resolver as divergências sobre a guerra comercial é um “processo de negociação” e que a China não está “evitando problemas”.

Lighthizer e o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, foram surpreendidos com a extensão das mudanças no esboço. Na última segunda-feira, 6, as duas autoridades disseram a repórteres que o fato de a China ter voltado atrás havia motivado a ordem de aumento das tarifas por Trump, mas não forneceram detalhes sobre a profundidade e a amplitude das revisões.

Na semana passada, Liu disse a Lighthizer e a Mnuchin que eles precisavam confiar na China para cumprir suas promessas por meio de mudanças administrativas e regulatórias, disseram duas das fontes. Tanto Mnuchin quanto Lighthizer consideraram isso inaceitável, dada a história da China de não cumprir as promessas de reforma. Uma fonte do setor privado informada sobre as discussões disse que a última rodada de negociações foi muito ruim porque “a China ficou gananciosa”.

“A China renegou uma dúzia de coisas, se não mais ... As negociações foram tão ruins que a verdadeira surpresa é que Trump demorou até domingo para explodir”, disse a fonte. “Depois de 20 anos fazendo o mesmo com os EUA, a China ainda parece estar errando com essa administração.” / Reuters

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