Chinês diz que IPI beneficia 'carroça'

Para industrial chinês, País afasta novas fábricas; ex-presidente Lula defendeu a medida

Daniela Milanese, correspondente de O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2011 | 23h59

LONDRES - O Brasil perderá bilhões de dólares de investimentos chineses no setor automotivo depois da elevação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre carros importados, afirmou o presidente da Câmara de Comercio e Indústria Brasil-China, Charles Tang. “Fábricas chinesas deixarão de ser instaladas no País”, previu. “Estamos na porta de uma recessão brutal e o Brasil desperdiça investimentos.”

Presente ao debate promovido pela revista The Economist, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a medida, afirmando que o Brasil estava recebendo um fluxo muito grande de carros importados. “Não quebramos nenhuma regra da OMC”, disse. Para ele, as divergências são parte das relações comerciais, mas é preciso buscar regras favoráveis para os dois lados. “Se os dois países vão bem, a tendência é que a relação seja fortalecida.”

Charles Tang disse que não haverá reclamação formal da China na OMC contra o Brasil, mas sim uma conversa entre os dois governos. Ele criticou duramente o que chamou de protecionismo e disse que a exigência de conteúdo nacional imposta pelo governo leva ao cancelamento dos planos de inauguração de novas fábricas.

“Nenhuma fábrica consegue cumprir os 65% de conteúdo nacional logo de início.” Ele citou que empresas como a JAC Motors, Chery, Foton e Great Wall poderão cancelar investimentos de pelo menos US$ 2 bilhões no Brasil.

“O Brasil vai continuar produzindo carroças e vendendo caro para os sofridos brasileiros”, disse.

O governo brasileiro reclama do protecionismo chinês e da invasão de produtos do país asiático, o que justificaria as medidas protecionistas. Tang rebate esse argumento, dizendo que o Brasil teve superávit de US$ 5,2 bilhões com a China. Segundo ele, o comércio entre os dois países permitiu que o Brasil saísse fortalecido da crise.

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