Chinesa Baosteel nega interesse na mineradora Rio Tinto

Grupo diz não ter os recursos necessários para uma oferta de compra

Pequim, O Estadao de S.Paulo

07 de dezembro de 2007 | 00h00

O presidente do Shanghai Baosteel, o maior grupo siderúrgico da China, Xu Lejiang, negou ontem as informações de que sua companhia estaria preparando uma oferta de compra da mineradora anglo-australiana Rio Tinto. Segundo notícias que vêm circulando na imprensa internacional, a Baosteel estaria à frente de um grupo de empresas chinesas que poderia fazer uma proposta de US$ 200 bilhões pela mineradora.Na terça-feira, o jornal 21st Century Business Herald atribuiu ao executivo a informação de que a empresa estaria interessada na Rio Tinto. Ontem, porém, em reportagem publicada no jornal Shanghai Securities News, Lejiang desmentiu a informação. "As notícias de que a Baosteel planeja comprar a Rio Tinto são falsas", disse. "A Baosteel não tem atualmente os recursos necessários para fazer uma proposta."A Rio Tinto recebeu, no início do mês passado, uma oferta de compra feita pela rival BHP Billiton, a maior mineradora do mundo. A oferta, toda em troca de ações, dava à Rio Tinto um valor de cerca de US$ 140 bilhões. A proposta, porém, foi recusada, com o argumento de que subvalorizava a empresa.No final de novembro, a Rio Tinto anunciou uma série de medidas para se defender da BHP. Entre elas, um aumento de 30% dos dividendos, um programa de venda de ativos e investimentos de US$ 2,4 bilhões em novas minas. "A BHP pode precisar da Rio Tinto, mas a Rio Tinto não precisa da BHP", disse o executivo-chefe da Rio Tinto, Tom Albanese.Desde o anúncio da oferta da BHP, o mercado internacional vem discutindo os rumos que essa disputa poderia tomar. Uma das possibilidades que se aventou foi a de a Rio Tinto se unir à rival Anglo American, formando um grupo de maior porte, o que tornaria mais difícil uma compra por outra empresa.Também foi discutida a possibilidade de a Rio Tinto fazer uma contraproposta pela BHP, uma manobra conhecida no mercado como "defesa Pac-Man". Essa possibilidade, porém, foi considerada remota por analistas. Falou-se também na possibilidade de a Vale entrar na briga e fazer uma oferta pela Rio Tinto - hipótese totalmente descartada pelo presidente da Vale, Roger Agnelli.Nesse contexto, a possibilidade de uma oferta chinesa ganha força. Para a China, uma das maiores consumidoras mundiais de minério de ferro, a união entre a BHP e a Rio Tinto poderia ser bastante prejudicial - juntamente com a Vale, essas empresas controlam hoje quase 80% do minério de ferro do mundo. Com uma eventual compra da Rio Tinto, no entanto, as siderúrgicas chinesas passariam a contar com um forte fornecedor próprio de minério. AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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