Chinesa Chery terá fábrica na Argentina

Investimento, ainda em análise, pode chegar a US$ 500 milhões

Ariel Palacios, O Estadao de S.Paulo

31 de janeiro de 2009 | 00h00

Empresários da fabricante automotiva chinesa Chery estão seguindo à risca a filosofia contida no ideograma da palavra "crise" (wei ji) - a justaposição dos ideogramas para "perigo" (wei xian) e "oportunidade" (ji huay). Mesmo em meio à crise internacional, a quarta maior empresa do setor na China, que possui uma associação estratégica com o argentino Grupo Socma, pretende dar mais um passo em direção ao Mercosul. Ela planeja instalar uma fábrica de veículos na província do Chaco, no norte da Argentina. O objetivo é destinar grande parte da produção ao abastecimento do mercado brasileiro. O investimento - ainda em análise - oscilaria entre US$ 450 milhões a US$ 500 milhões. As obras começariam em poucos meses. A ideia é que, na primeira etapa, a fabricação de automóveis comece em 2011, com capacidade de produção de 50 mil unidades anuais. A segunda etapa, que deve ser concluída em 2012, pretende elevar a capacidade para 100 mil unidades.O primeiro passo foi dado no ano passado, quando o grupo chinês começou a produzir o Tiggo 2.0 em conjunto com o Grupo Socma - comandado pelo septuagenário empresário Franco Macri, ícone do capitalismo argentino nos anos 90, famoso por sua vida de playboy e pai do prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri. O investimento conjunto no Uruguai foi de US$ 100 milhões. A capacidade de produção da fábrica nas vizinhanças de Montevidéu é de 25 mil unidades anuais. A Chery possui 51% de participação nessa empresa mista, enquanto Macri tem 49%. No início de 2008, quando a Chery-Socma estava prestes a lançar o Tiggo, representantes das empresas anunciaram que pretendiam realizar em breve investimentos na Argentina. Mas, com o início da crise mundial, a expectativa era de que os planos fossem abandonados - por isso, houve surpresa quando o governador do Chaco, Jorge Capitanich, anunciou que o projeto estava em andamento. A construção será iniciada no segundo semestre deste ano.O investimento pode ser financiado com fundos da ANSES (o sistema previdenciário argentino reestatizado no fim do ano passado). Analistas não duvidam que os fundos sejam fornecidos sem problemas, já que Capitanich é um dos aliados do governo da presidente Cristina Kirchner. A Chery possui fábricas na Rússia, Ucrânia, Irã, Egito, Indonésia e Malásia.

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