Chinesa Dakang quer fatia maior na exportação de soja

Empresa, braço agrícola do grupo chinês Pengxin, tem como meta embarcar 2 milhões de toneladas na safra 2019/20

Coluna do Broadcast Agro, O Estado de S. Paulo

17 de junho de 2019 | 05h48

A Dakang International pretende ampliar a exportação direta de soja do Brasil para a China, reduzindo o espaço de intermediários - leia-se tradings. A empresa, braço agrícola do grupo chinês Pengxin, que nos últimos anos comprou no Brasil as revendas de insumos agropecuários Fiagril e Belagrícola, tem como meta embarcar 2 milhões de toneladas na safra 2019/20, quatro vezes mais que as 500 mil toneladas de 2018/19. “Acabamos de iniciar nosso projeto de exportação”, confirma à coluna Richard Fan, vice-presidente da Dakang. O caminho a percorrer, porém, é longo. O executivo lembra que em 2018 o Brasil exportou 68,8 milhões de toneladas da oleaginosa à China, sendo que menos de 10 milhões de toneladas foram embarcadas por empresas chinesas que operam aqui, como a Dakang e a trading Cofco. 

Pé no chão. No radar da Dakang estão mais aquisições de distribuidoras em Estados produtores de soja - Fiagril e Belagrícola ficam em Mato Grosso e no Paraná. Mas Fan não fixa prazo. “As duas empresas tinham problemas quando as adquirimos e tivemos de resolvê-los.” Pela lógica, explica, Mato Grosso do Sul será o próximo Estado onde a Dakang fincará base. São considerados também Tocantins, Rio Grande do Sul e Goiás. 

Para todos. Segurança alimentar é preocupação dos chineses, como ficou claro no One Agro, promovido na semana passada pela Syngenta. Erik Fyrwald, CEO global da empresa controlada pela ChemChina, reforçou: “Os chineses compraram a Syngenta para ter certeza de que levaremos tecnologia para produzir alimentos”. Valmor Schaffer, presidente da Cofco no Brasil, também estava lá. 

Avanço. Representantes do agronegócio que estiveram em Brasília na semana passada ouviram do governo que a China terá um adido comercial no País exclusivo para o setor. O Itamaraty já criou um departamento só para negociar com os chineses. O otimismo deve-se também à criação de um mecanismo na Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban) para acompanhar compromissos assumidos. “Pouco tempo atrás chineses relutavam até em assinar atas de reuniões com brasileiros”, diz um executivo. 

Commodity ou dinheiro. A expectativa é grande sobre qual enquadramento o Banco Central e o Conselho Monetário Nacional (CMN) darão ao Crédito de Descarbonização (CBIO). O papel, a ser negociado entre produtores de combustíveis renováveis e distribuidoras de combustíveis fósseis, poderá ser considerado uma commodity ou um ativo financeiro. Os setores de biocombustíveis e financeiro temem que um CBIO Commodity tenha baixa atratividade e resistência do mercado, como ocorreu com o crédito de carbono, que não vingou. O BC não se manifesta sobre o assunto.

Corre atrás. O consumo de suco de laranja no mundo está caindo e a Citrosuco, gigante do setor, diversificará seu portfólio. Focada na exportação da bebida e nos subprodutos do processamento, a companhia passou a utilizar fibras da fruta na produção de hambúrguer, iogurte e geleias. A Citrosuco não fala sobre o assunto, alegando que ainda não está no pacote comercial da companhia. Mas em prospectos apresentados em eventos cita que, no hambúrguer, a fibra de laranja eliminou a necessidade de gordura na formulação, sem que o produto, mais saudável, perca suculência. A fibra substitui também o espessante do iogurte e a pectina da geleia.

Tomara. A seguradora suíça Swiss Re vê na promessa do governo de destinar R$ 1 bilhão à subvenção do seguro agrícola a chance de voltar a crescer no segmento no Brasil. Gabriel Lemos, diretor de Agricultura da empresa no País, diz que nos últimos anos os recursos federais ficaram estagnados e outras seguradoras entraram no mercado, fatiando mais o “bolo” da subvenção. A Swiss Re caiu da 3.ª posição em 2015 para a 5.ª em 2018 em seguro agrícola com subvenção. Se o R$ 1 bilhão vingar, o plano é expandir a atuação para o Norte/Nordeste. 

À toda. A exportação de café brasileiro aos Emirados Árabes deve ser recorde este ano. Até maio, a receita beirou US$ 6 milhões, 50% acima de igual período de 2018. João Paulo Paixão, chefe no Brasil do Centro de Multi Commodities de Dubai, aposta que o centro de café criado nesta espécie de zona franca estimulará as vendas. A proposta é fazer dele um hub para outras nações árabes. O Brasil é o 4.º maior fornecedor de café para Dubai. 

Só elogios. A União Europeia precisa de grande quantidade de farelo de soja orgânico para alimentar frangos e vê no Brasil um fornecedor confiável, diz Michel Reynaud, vice-presidente do Grupo Ecocert, a maior certificadora global de orgânicos. Ele elogia a competência brasileira sobretudo na segregação de grãos não transgênicos dos transgênicos - um dos gargalos na formulação de rações para o segmento.

Muito a avançar. O maior fornecedor de farelo de soja orgânico para a União Europeia é a China, com vendas anuais de 310,5 mil toneladas, conta Reynaud. O Brasil, segundo maior produtor mundial de soja convencional, nem sequer figura na lista de principais exportadores do insumo sustentável.

COLABORARAM AUGUSTO DECKER,

FABRÍCIO DE CASTRO e TÂNIA RABELLO

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