Chinesa Lenovo deve anunciar compra da brasileira CCE nesta quarta

Valor da aquisição pode chegar a R$ 700 milhões, segundo pessoas ligadas à negociação

David Friedlander e Renato Cruz, de O Estado de S. Paulo,

04 de setembro de 2012 | 22h30

A Lenovo deve anunciar hoje a compra da brasileira CCE, que já esteve entre as maiores indústrias do setor eletroeletrônico no País, segundo fontes envolvidas no processo. Ontem à noite, os assessores jurídicos e financeiros das duas empresas trabalhavam na redação final dos contratos para que Yang Yanquing, presidente mundial da Lenovo, pudesse fazer hoje o "maior anúncio da história da empresa no Brasil", conforme definiu a própria companhia.

O valor da operação, que poderia chegar a R$ 700 milhões, não estava completamente definido, porque dependia de algumas decisões, que ficaram para última hora. Os chineses estão adquirindo 100% da CCE, o que inclui a marca, o parque fabril em Manaus e instalações em São Paulo.

Segunda maior fabricante de PCs do mundo, a Lenovo tem enfrentado dificuldades para crescer no Brasil. As líderes locais são a brasileira Positivo Informática e a americana HP. Com a compra da CCE, a Lenovo deve dobrar de tamanho no Brasil, ficando entre as cinco maiores fabricantes locais.

O Brasil é o terceiro maior mercado de microcomputadores do mundo, atrás da China e dos Estados Unidos. No ano passado, foram vendidas 15,3 milhões de unidades, um crescimento de 9% sobre 2010, segundo a Associação da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).

Em julho, a Lenovo anunciou o investimento de US$ 30 milhões para construir uma fábrica em Itu, no interior de São Paulo. A expectativa era iniciar as operações até o fim do ano, contratando até 700 pessoas.

Criado em 1964, o Grupo Digibrás, dono da CCE, possui um parque industrial de 500 mil metros quadrados na Zona Franca de Manaus. Com 5,9 mil funcionários, registrou um faturamento líquido de R$ 1,6 bilhão em 2011. No ano passado, a empresa produziu 463 mil notebooks, 311 mil desktops e 552 mil televisores. A projeção para este ano é de 633 mil computadores portáteis, 254 mil de mesa e 798 mil Tvs.

No segundo trimestre, as vendas mundiais da Lenovo cresceram 14,9%, somando 12,8 milhões de unidades, de acordo com a consultoria Gartner. No mesmo período, o mercado como um todo caiu 0,1%, para 87,5 milhões, e as vendas da HP, líder de mercado, diminuíram 12,1%, para 13 milhões. A expectativa é que, em breve, a Lenovo ultrapasse a HP, para se tornar a maior fabricante de PCs do mundo. Para que isso aconteça, o Brasil é uma peça essencial.

Tentativas

Faz tempo que a Lenovo tenta adquirir uma fabricante brasileira de computadores. Há alguns anos, conversas com a Positivo acabaram sem resultado, principalmente por questões de preço. Nos últimos meses, os chineses conversaram com várias empresas brasileiras, antes de chegar a um acordo com a CCE.

Foi a aquisição da divisão de PCs da IBM, em 2004, que deu projeção mundial à Lenovo. Nos últimos anos, a empresa apostou na expansão internacional, com a compra da alemã Medion e com a criação de uma joint venture com a japonesa NEC.

 

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