Chineses agora avançam no Leste Europeu

Empresas chinesas, com muito dinheiro, estão comprando imóveis e participando de licitações de contratos em infraestrutura de olho na Eurocopa- 2012

Judy Dempsey THE NEW YORK TIMES / BUDAPESTE, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2010 | 00h00

As paredes das salas de aula da escola primária bilíngue húngaro-chinesa da cidade estão decoradas com calendários e bandeirolas chinesas. Lanternas chinesas pendem do teto do vestíbulo principal. Na sala dos professores há pilhas de livros em chinês, fornecidos pelas autoridades chinesas, que também enviam anualmente dois professores, dependendo das necessidades da escola.

Porém, a lanchonete da escola serve apenas comida local.

"Nada de comida chinesa, pelo menos por enquanto", disse a professora Viktoria Schaff.

Melhor assim, porque a escola estatal, a única do gênero no Leste Europeu, mudou muito desde que foi inaugurada, em 2004, para atender ao grande número de trabalhadores chineses que vivem na Hungria e ao número crescente de companhias chinesas que investem na região.

No primeiro ano, havia 86 alunos, todos provenientes da China ou de outros países asiáticos. Dos 229 alunos que se matricularam este mês, 90 são húngaros.

"Os pais húngaros estão mandando cada vez mais os filhos para estudar aqui", disse Schaff. "Os pais se dão conta das enormes oportunidades que se abrem porque a China está se tornando mais importante."

Compras e licitações. A educação não é a única área na qual a China está penetrando na Europa Central e do Leste. Dos países do Báltico aos Bálcãs, as companhias chinesas, com muito dinheiro, estão comprando imóveis e participam de licitações de contratos em infraestrutura, principalmente porque Polônia e Ucrânia trabalham a todo vapor para sediar em conjunto a Eurocopa de 2012.

Estão investindo também na fabricação de produtos eletrônicos e químicos com o objetivo de conquistar uma posição importante no único mercado europeu em expansão.

No ano passado, na Polônia, um consórcio chinês venceu uma licitação para a construção de duas seções de uma autoestrada de Lodz a Varsóvia.

Não era um negócio muito grande, mas foi a primeira vez que uma companhia não europeia ganhou um contrato que será em parte financiado pela União Europeia.

"Algumas companhias polonesas não gostaram", disse Henryka Bochniarz, presidente da Confederação das Empresas Privadas da Polônia. "Elas disseram que os chineses são subsidiados pelo governo chinês. Mas francamente, desde que cumpram as normas das licitações, não podemos excluí-los."

Bochniarz acrescentou que as companhias chinesas também contrataram operários e engenheiros poloneses. Na realidade, essas empresas estão se tornando muito ativas na Polônia, onde a mão de obra tem um elevado nível de escolaridade e é ainda relativamente barata em relação à dos países da Europa do Oeste.

Os fluxos comerciais também mudaram."A China exportava em geral têxteis, calçados e chá para a Polônia", disse Tomasz Ostaszewicz, do Ministério da Economia da Polônia. "Agora, a China é nossa principal fornecedora de produtos eletrônicos."

Ainda em 2007, os investimentos chineses na Polônia, e em toda a Europa do Leste, eram insignificantes.

"Os investimentos chineses na Polônia aumentaram para 70 milhões em 2007", ou cerca de US$ 92 milhões ao câmbio atual, segundo Ostaszewicz. "O montante dos investimentos chineses previsto para 2010 poderá chegar a 500 milhões." O que permitirá a criação de 3.230 empregos.

Os investimentos, que em geral assumem a forma de joint ventures, espalham-se por todos os setores da indústria, de produtos eletrônicos a maquinário para produção de embalagens, plásticos e papel. / TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA

Avanço chinês

VIKTORIA SCHAFF

PROFESSORA DA ESCOLA PRIMÁRIA BILÍNGUE HÚNGARO-CHINESA

"Os pais húngaros estão mandando cada vez mais os filhos estudar aqui... estão se dando conta das enormes oportunidades que se abrem porque a China está se tornando mais importante."

TOMASZ OSTASZEWICZ

FUNCIONÁRIO DO MINISTÉRIO DA ECONOMIA DA POLÔNIA

"A China é hoje nossa principal fornecedora de produtos eletrônicos."

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