Chineses compram mina da Votorantim

Minério de ferro. Fundo asiático vai pagar US$ 390 milhões pelo ativo e prevê investimentos de até US$ 2,6 bilhões no Projeto Salinas, no norte de Minas, que inclui a exploração da mina, a construção de um mineroduto e de uma operação portuária

Paula Pacheco, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2010 | 00h00

Depois de cinco meses de negociação, a Votorantim Novos Negócios (VNN) fechou no domingo um acordo com a Honbridge Holdings, empresa chinesa de investimentos, para a venda da Sul Americana de Metais, dona do Projeto Salinas, que inclui uma mina de minério de ferro em Minas Gerais.

O contrato foi fechado em US$ 390 milhões - o memorando de entendimentos, assinado em novembro, previa pagamento de US$ 430 milhões. Mas, por enquanto, a VNN não vai embolsar o valor. Durante um ano, a empresa de capital de risco (venture capital) do grupo Votorantim vai administrar o projeto, até a fase de conclusão do estudo de viabilidade. Nesta fase, serão aportados pelos chineses US$ 35 milhões. Se os negócios avançarem, o controle acionário será transferido. A Honbridge já acenou com um plano de investimentos de US$ 2,6 bilhões, diz Haroldo Fleischfresser, diretor da Votorantim Novos Negócios.

Parte dos recursos poderá vir de outras duas companhias chinesas, a Xinwen Mining Group Co. (empresa da área de carvão e outros insumos do setor de minérios) e a Shandong Iron and Steel (uma das maiores siderúrgicas da China).

A Xinwen já assinou um acordo de cooperação com a Honbridge para o Projeto Salinas e a Shandong fechou um memorando de intenção que prevê uma participação futura. "Em algum momento, outras empresas chinesas deverão se envolver no projeto", diz Fleischfresser.

Segundo estudo preliminar feito pela Votorantim Novos Negócios, a mina tem capacidade estimada em 2,8 bilhões de toneladas até ser exaurida, o que daria uma média de 25 milhões de toneladas extraídas anualmente ao longo de duas décadas.

Além da exploração do minério, o Projeto Salinas prevê a construção de um mineroduto de 500 quilômetros e de um porto a em Ilhéus, no litoral baiano. Ou seja, o negócio vai da extração do minério de ferro ao beneficiamento e embarque.

Interesse internacional. A Honbridge não foi a única empresa a procurar a Votorantim Novos Negócios interessada no Projeto Salinas, próximo ao Vale do Jequitinhonha. Outras companhias chinesas e indianas também sondaram a direção da empresa. "O Brasil tem muito minério de ferro em áreas não desenvolvidas, então é inevitável que olhem para cá em busca de oportunidades", argumenta o executivo. Mas, apesar de inúmeros interessados, Fleischfresser explica que nem todas as propostas são interessantes.

"Como o mercado de minério está bem aquecido, muitos querem chegar aqui e encontrar uma "galinha morta" para não gastar muito dinheiro", comenta o presidente da companhia.

Além do Projeto Salinas, a VNN tem uma operação preliminar de níquel em Tocantins. Segundo Fleischfresser, a empresa estuda investir em outros projetos de mineração, sempre na fase de prospecção. "Somos uma empresa de venture capital, não temos interesse em operar os negócios", diz.

A companhia chinesa também já opera no País com um negócio na área de exploração de manganês, por enquanto sem sócios.

PARA LEMBRAR

Chineses avançam no Brasil

Os chineses já deram mostras de que vão investir fortemente no minério de ferro em outros países, como forma de reduzir a dependência do produto vendido pelas grandes mineradoras (Vale, BHP e Rio Tinto). No mês passado, a companhia chinesa ECE (Bureau de Exploração e Desenvolvimento Mineral do Leste da China) assinou uma carta de intenções para a compra da mineradora Itaminas, do empresário Bernardo Paz, por um total de US$ 1,2 bilhão.

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