Chineses estão à espera de produtos brasileiros, diz Furlan

De posse de uma pesquisa inédita de mercado, encomendada pelo Ministério de Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior, o Brasil espera multiplicar por 10, em curto espaço de tempo, as exportações brasileiras para a China. Às vésperas da viagem do presidente Luíz Inácio Lula da Silva, com uma comitiva de pouco mais de 200 pessoas, entre os quais ministros, alguns governadores e empresários de pequenas, médias e grandes empresas, o ministro Luiz Fernando Furlan avalia que há na China pelo menos 300 milhões de consumidores para produtos brasileiros com alto valor agregado.Isto é, o Brasil não quer ser apenas fornecedor de matérias-primas ou produtos com pouquíssimo valor adicionado. "Queremos diversificar nossas exportações, porque o hábito dos chineses está mudando e porque há um crescente aumento de renda entre a população", afirmou o ministro em entrevista a mais de 20 jornalistas estrangeiros. "O espaço (para nossos exportadores) é dez vezes maior do que é hoje", acrescentou.No ano passado, o Brasil exportou à China US$ 4,5 bilhões, 79,8% a mais do que em 2002. Entre janeiro e abril deste ano, as vendas brasileiras para o mercado chinês cresceram 32,2%, em relação ao mesmo período de 2003, passando de US$ 1,2 bilhão para US$ 1,6 bilhão.Embora a viagem à China que começa este final de semana seja mais de caráter político do que negócios, o governo espera já abrir caminho para uma série de produtos como cafés especiais, frutas processadas, sucos, cachaça, equipamentos e materiais esportivos, móveis, cosméticos, pedras preciosas, equipamentos médicos e odontológicos e carnes. Entretanto, uma promoção mais agressiva e convincente para estes produtos, principalmente os que apresentam valor agregado, entretanto, ocorrerá entre os dias 16 e 18 de junho, quando uma missão comercial brasileira liderada pela Agência de Promoção de Exportações do Brasil (Apex) desembarcar em Xangai."Vamos levar, inclusive, dois veículos bicombustíveis para expô-los na China", explicou o ministro. Nessa viagem, acrescentou Furlan, "não irá ninguém que não esteja preparado para fazer negócios" De acordo com ele, o governo chinês tem mostrado extremo interesse no sistema de mistura de gasolina com álcool (etanol) devido ao aumento de poluição nos grandes centros urbanos chineses. O consumo de etanol brasileiro pela China e, eventualmente, a produção no mercado chinês com tecnologia nacional dependem ainda de uma regulamentação do governo de Pequim. Por enquanto, explicou Furlan, "nossa missão é convencê-los de que vale a pena".ParceriasNa viagem do presidente Lula devem ser oficializadas duas parcerias entre companhias brasileiras e chinesas. A Vale do Rio Doce e a Alunorte vão se juntar à Bao Steel e à Min Metals. Serão anunciados ainda uma série de convênios que devem facilitar a investimentos de chineses no Brasil. "Existe um grande interesse na área de alimentos, até porque o espaço cultivável na China não é mais suficiente", afirmou o ministro.Furlan alertou, no entanto, que não se pode esperar um fluxo de investimentos chineses de imediato. "Isso leva tempo, pelo menos seis meses. Mas estamos trabalhando para que isso ocorra nos próximos anos." O ministro acredita que, nos próximos três anos, os investimentos chineses no País alcancem pelo menos US$ 5 bilhões.

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