Rafael Arbex/Estadão (14/12/2017)
Rafael Arbex/Estadão (14/12/2017)

Chineses estão perto de comprar Linha 6 do Metrô

Concessionária Move São Paulo, que tem como sócios a Odebrecht, a Queiroz Galvão e a UTC, escolheu a CR20 para negociar venda da concessão da Linha Laranja

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2019 | 04h00

A chinesa CR20, subsidiária da China Railway Construction Corporation (CRCC), foi escolhida pelo consórcio Move São Paulo – formado por Odebrecht, Queiroz Galvão e UTC – para negociar a compra da concessão da Linha 6 – Laranja do Metrô de São Paulo, apurou o Estado. Três empresas estavam no páreo: além da chinesa, a espanhola Acciona e a americana KT2. Mas a proposta da empresa asiática foi considerada mais vantajosa, segundo fontes próximas ao negócio.

O consórcio, cujos acionistas estão envolvidos na Operação Lava Jato, têm até 11 de novembro para concluir a negociação. Se até essa data não houver um acordo, haverá a caducidade (extinção) da concessão da Linha 6 – hoje o maior projeto do Estado de São Paulo e que vai exigir investimentos da ordem de R$ 10 bilhões.

Uma fonte próxima às negociações afirmou ao Estado que a CR20 apresentou uma proposta vinculante no início da semana. A resposta veio em seguida, por meio de uma carta enviada à companhia chinesa, informando que a proposta havia sido aceita, mas com algumas condições que precisavam ser validadas. Até ontem a chinesa não havia respondido.

Segundo uma outra fonte próxima ao negócio, a escolha dos chineses foi discutida numa reunião ocorrida na quarta-feira com o governador de São Paulo, João Doria, o secretário de Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, o secretário da Fazenda, Henrique Meireles, e os acionistas da concessionária Move São Paulo. Há uma preocupação com o cronograma para não ultrapassar a data da caducidade da concessão.

Concluídas as negociações, é preciso assinar o contrato de compra e venda da Linha 6 e passar pela aprovação do Estado. Esse processo não deve representar problema uma vez que o governador já manifestou, em outras ocasiões, simpatia pela transferência da concessão para os chineses. Procurada, a Secretaria de Transportes Metropolitanos afirmou que houve uma reunião na quinta-feira, mas não confirmou a escolha da proposta dos chineses. A concessionária também não quis se pronunciar. A CR20 não respondeu.

Além das empresas que estavam na disputa, alguns fundos de investimentos também estavam interessados em fazer proposta pela concessão. Mas, após a reunião, se retiraram do processo, dizem fontes.

Caducidade

O contrato de concessão foi assinado em 2013 com a Move São Paulo e as obras iniciadas em 2016. Mas, com o envolvimento das empresas na Lava Jato, o consórcio ficou sem financiamento para continuar a construção. No ano passado, na gestão de Marcio França (PSB), o governo paulista chegou a declarar a caducidade da concessão pelo descumprimento do contrato. A empresa deveria ter retomado as obras, mas não seguiu o cronograma por falta de dinheiro.

A declaração de caducidade saiu em dezembro. De acordo com o decreto, a extinção passaria a valer em agosto deste ano, mas Doria adiou a data para 11 de novembro, dando mais tempo para o consórcio negociar a venda da concessão. A caducidade não seria a melhor saída nem para o consórcio nem para o governo já que provocaria uma disputa judicial de anos.

Linha vai ligar universidades

A Linha 6 – Laranja de metrô foi concedida ao consórcio Move São Paulo, formado pelas construtoras Odebrecht, Queiroz Galvão e UTC, em 2013. O empreendimento, conhecido como a “linha das universidades”, terá 15 quilômetros de extensão e ligará a região de Brasilândia e Freguesia do Ó, na zona norte, à região central de São Paulo. No total, serão 15 estações.

Na época da assinatura do contrato, a demanda prevista para o trecho era de 633 mil passageiros por dia, percorrendo centros educacionais, como Unip (Universidade Paulista), PUC (Pontifícia Universidade Católica), Faap (Fundação Armando Álvares Penteado), Mackenzie e FMU (Faculdade Metropolitanas Unidas), num trajeto de 27 minutos. 

A maior parte das obras será subterrânea e deverá utilizar dois shields – equipamentos de escavação conhecidos como tatuzões – para construção dos túneis.

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