Chineses financiam exploração de minas na Groenlândia

Na Groenlândia, grandes companhias chinesas estão financiando a exploração de minas em locais onde foram descobertos minérios ou pedras preciosas por pequenas empresas de prospecção, disse Soren Meisling, chefe da carteira chinesa no escritório de advocacia Bech Bruun em Copenhague, que representa muitas dessas empresas. Uma enorme mina recém-aberta perto de Nuuk, por exemplo, é de propriedade de uma empresa britânica, mas financiada em parte por uma siderúrgica chinesa.

NUUK / GROENLÂNDIA, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2012 | 03h11

As empresas mineradoras chinesas já comprovaram sua capacidade de trabalho em locais difíceis e propuseram até construir pistas para aterrissagem de jatos jumbo no gelo na parte mais ao norte da Groenlândia para o transporte de minérios. "Já existe uma competição no Ártico e eles acham que podem desfrutar primeiro das vantagens", disse Jingjin Su, advogado do escritório da China em Bech Bruun.

Os esforços chineses têm nítido apoio político. O ministro da Indústria e Recursos Minerais da Groenlândia foi recebido pelo vice-premiê da China, Li Keqiang, em novembro. Alguns meses depois, outro ministro chinês, Xu Shaoshi, viajou à Groenlândia para assinar acordos de cooperação.

Analistas ocidentais se preocupam que a China possa usar seus enormes recursos financeiros especialmente em alguns locais do Ártico onde o dinheiro é escasso, como a Groenlândia e a Islândia.

Mas as autoridades chineses explicam sua motivação de modo mais generoso: "As atividades da China têm por finalidade manter uma investigação e investimentos regulares no meio ambiente e não têm nada a ver com exploração de recursos e controle estratégico", escreveu a agência de notícias estatal Xinhua.

Segundo Michael Byers, professor de política e direito na Universidade da Colúmbia Britânica, os chineses não vão extrapolar seus direitos numa região povoada de membros da Otan. "Apesar das preocupações que tenho quanto à política externa chinesa em outras partes do mundo, no Ártico os chineses têm comportamento responsável. Eles só querem lucrar." / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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