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Chineses, europeus e fundos estão interessados no controle da Eletrobrás

Especialistas afirmam que, dependendo da modelagem que será adotada pelo governo, o ativo pode ser ideal para grandes fundos de investimentos espalhados pelo mundo, e que hoje têm muito dinheiro em caixa para gastar

Renée Pereira e Luciana Collet, O Estado de S.Paulo

23 Agosto 2017 | 05h00

A lista de possíveis interessados no controle da Eletrobrás vai muito além dos chineses, que nos últimos anos abocanharam grandes companhias no setor, a exemplo da CPFL Energia e das usinas da Companhia Energética de São Paulo (Cesp). Especialistas afirmam que, dependendo da modelagem que será adotada pelo governo, o ativo pode ser ideal para grandes fundos de investimentos espalhados pelo mundo, e que hoje têm muito dinheiro em caixa para gastar.

O presidente da Thymos Energia, João Carlos Mello, acrescenta ainda que as elétricas europeias – algumas delas que já passaram pelo mesmo caminho que o governo trilha para a Eletrobrás – estão voltando com apetite ao mercado brasileiro. Ele afirma que a italiana Enel e a francesa EDF podem ser candidatas à comprar uma fatia da estatal. “Numa venda pulverizada, dependendo do tamanho dos lotes, as companhias brasileiras também podem disputar esse negócio.”

O presidente da Engie Brasil Energia, Eduardo Sattamini, também acredita que a privatização da Eletrobrás está mais voltada para um investidor financeiro do que para um investidor estratégico, tendo em vista que a operação visa à entrada de recursos na companhia e à diluição da participação governamental. Ainda assim, ele considerou que “é uma maneira inteligente de dar dinamismo à empresa, ao liberar das amarras estatais”, permitindo uma gestão mais efetiva.

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Para a economista Elena Landau, ex-conselheira da Eletrobrás, o governo conseguiu uma solução que estava “quicando na área”, considerando toda discussão sobre meta fiscal. Para ela, a oferta de ações, com a União diluindo a participação, é uma solução que vai ajudar a Eletrobrás nesse processo de transformação pela qual já vem passado. “E não será um modelo tradicional como antes (ou seja, será uma venda pulverizada).”

O presidente da EDP Energias do Brasil, Miguel Setas, também viu com bons olhos o anúncio da privatização da estatal. Apesar disso, ele evitou comentar sobre a modelagem sugerida pelo governo para executar a privatização e sobre a possibilidade de a EDP ou seu controlador, a China Three Gorges (CTG), participar do processo. “É cedo para comentar, a modelagem ainda está sendo estudada. (...) Obviamente nossa obrigação é fazer uma análise.”

Setas lembrou que a EDP já anunciou o interesse em adquirir ativos da Eletrobrás nos quais a companhia é sócia. “Apresentamos uma proposta, mas ela não foi aceita.”

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