Chineses inflam preços no setor elétrico

Para Cemig, chegada ao País de gigantes como a chinesa State Grid, que comprou empresas de transmissão, torna mais difícil a disputa por ativos

Wellington Bahnemann, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2010 | 00h00

A entrada de novos concorrentes no setor elétrico brasileiro está mudando o segmento, disse o diretor de Finanças, Relações com Investidores e Controle de Participações da Cemig, Luiz Fernando Rolla. "O mercado está mudando com a entrada de concorrentes que não esperávamos. Esse novo fator vai influenciar o setor", disse o executivo, em referência à aquisição dos ativos da Plena Transmissoras pela estatal chinesa State Grid.

A Cemig era uma das empresas que disputava a compra das linhas de transmissão da Plena. Segundo Rolla, a companhia chegou a fazer uma proposta pelos 12 ativos de transmissão da Plena, sem sucesso. "Eles pagaram muito mais caro do que propusemos", disse, sem entrar em detalhes da proposta. A State Grid pagou aos espanhóis da Plena cerca de R$ 3 bilhões.

O executivo afirma que a Cemig tem a intenção de continuar crescendo no setor elétrico, mas pondera que o mercado anda bastante volátil para que se pense nesse momento em novas aquisições, por exemplo. "Não é um bom momento para comprar ativos", ponderou, durante um evento do Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (Ibri), do qual é presidente do conselho de administração.

Leilões de energia. A Cemig planeja, no entanto, disputar os leilões de energia e a licitação de transmissão que o governo federal pretende realizar este ano. Entre os projetos de interesse estão as hidrelétricas do rio Teles Pires e do Parnaíba. "Temos interesse nas usinas, mas vamos estudar para determinar quais projetos disputaremos", afirma Luiz Fernando Rolla.

De acordo com o executivo, o foco são as usinas de grande porte, que permitem maior ganho de escala. A afirmação é uma sinalização de que a companhia pode ter maior interesse pelas hidrelétricas do rio Teles Pires.

O diretor da Cemig afirma ainda que é provável que a companhia forme parcerias para disputar esses leilões. A estratégia serviria para diminuir riscos e reduzir os desembolsos.

A estatal mineira deve fazer uma captação de R$ 600 milhões no mercado interno até o fim deste ano. "A operação tem como objetivo a rolagem de dívidas", diz o executivo. Inicialmente, a companhia emitirá commercial papers, que serão refinanciados, posteriormente, por debêntures.

Segundo Rolla, a atual crise na zona do euro não trouxe qualquer reflexo negativo para a obtenção de crédito pela companhia. "O mercado local tem atendido às nossas necessidades. Não precisamos acessar o mercado externo", garante.

A Cemig não tem grande pressão de caixa até 2012. A companhia captou este ano R$ 2,7 bilhões em debêntures, o que permitiu a rolagem de dívidas de curto prazo.

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