Chineses investem em máquinas e alimentos no Brasil

Embora com investimentos diretos (IED) ainda muito tímidos, os chineses começam a mudar a sua estratégia no Brasil e já estão investindo mais na fabricação de máquinas e equipamentos e na elaboração de produtos alimentícios. É o que constata recente levantamento da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização (Sobeet).O IED chinês no Brasil em 2003 não passou de modestos US$ 17,3 milhões, ante US$ 16,7 milhões no ano anterior, mas a distribuição setorial desses recursos no ano passado no País mostra uma grande diferença em relação à verificada em 2000, diz a Sobeet. De acordo com a entidade, a fabricação de produtos de madeira, o comércio e os serviços prestados a empresas, que respondiam por 62,2% do estoque de IED chinês no Brasil em 2000, cederam terreno à fabricação de máquinas e equipamentos e à elaboração de produtos alimentícios, que hoje concentram 62,5% dos recursos.Para a Sobeet, essa mudança de estratégia não se resume apenas ao Brasil, já que, até a metade da década de 90, a China era vista como pólo de atração de vultuosos recursos sob forma de investimentos. No ano passado, a China recebeu cerca de US$ 57 bilhões em investimentos estrangeiros diretos, quase US$ 6 bilhões a mais do que em 2002. Agora, os chineses, incluindo Taiwan e Hong Kong, começam a se voltar para o mundo e já são, de longe, os maiores investidores entre os países em desenvolvimento.O IED chinês no mundo em 2002 somou US$ 25,4 bilhões, de acordo com dados da Sobeet. No ano passado, porém os chineses enviaram ao Exterior pelo menos US$ 35 bilhões, segundo estimativas da entidade, com base a números mundiais ainda não totalmente consolidados. Isto é, a participação chinesa no total mundial de investimentos estaria passando de 3,9% em 2002 para 5,5% no ano passado.Com o espetacular crescimento econômico na última década - só no ano passado a economia do país experimentou uma expansão de 9,1%, a maior taxa desde 1997 -, o poder aquisitivo dos chineses também vem aumentado significativamente. A renda per capita hoje dos chineses supera os US$ 1.000,00, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), com diferenças que vão de US$ 150,00 por ano nas áreas rurais para US$ 5.000,00 em algumas cidades como Shanghai. Vale lembrar que o PIB chinês já é de US$ 1,4 trilhão e já passou a ser sexta maior economia do planeta. E a meta do governo é quadruplicar sua economia até 2020, como ocorreu nos últimos 20 anos. Isso significaria crescer pelo menos 7,2% ao ano, cifra que parece ser bastante realista e factível.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.