Chineses investem no Chile para quebrar monopólio do minério

Empresas planejam desenvolver mina de minério de ferro no país e investimentos giram em torno de US$ 1,9 bi

Hélio Barboza, da Agência Estado,

29 de dezembro de 2009 | 11h56

A China Minmetals e a Shunde Rixin Development planejam desenvolver uma mina de minério de ferro no Chile que, segundo espera a indústria siderúrgica chinesa, fornecerá uma parte significativa das necessidades anuais do país e romperá o que a Rixin descreve como um "monopólio" na oferta intercontinental de minério de alta qualidade.

 

A China Minmetals, maior empresa diversificada de comercialização de metais do país, está em parceria com a Shunde Rixin para desenvolver a mina, segundo seu gerente de comunicações, He Jinglin. A empresa, que vai oferecer cooperação por meio de sua subsidiária Minmetals Zhuhai, não concederá assistência financeira à Shunde Rixin, conforme esclareceu Gao Peijun, assessor de imprensa da Minmetals. "Vamos ajudar a vender o minério como parte de acordo de comercialização", disse Peijun.

 

A Shunde Rixin, que é exportadora têxtil, montadora de veículos e mineradora, está comprando uma participação de 70% na mina chilena e disse ter reservas de 3 bilhões a 5 bilhões de toneladas, de acordo com relatos da mídia estatal. Funcionários da Rixin não estavam disponíveis para comentários.

 

Citando o presidente da Shunde Rixin, Li Zihao, o jornal 21st Century Business Herald informou que a empresa gastará 13 bilhões de yuans (US$ 1,9 bilhão) pela participação na mina, situada a cerca de mil quilômetros ao norte de Santiago. O negócio será parcialmente financiado por acionistas da Rixin em Hong Kong, não identificados, segundo Zihao disse ao jornal.

 

A mina pode abastecer a China com pelo menos 30 milhões de toneladas de minério entre 2010 e 2012 e fornecer 120 milhões de toneladas por ano depois de 2014, afirmou o executivo. Esse volume representa cerca de um terço das atuais necessidades da China, segundo as estimativas da Dow Jones.

 

Zihao declarou que a operação ajudará a China a quebrar o "monopólio" do minério de ferro estrangeiro, referindo-se ao domínio que mineradoras brasileiras e australianas exercem sobre a oferta de minério de alta qualidade.

 

A China Communications Construction também vai ajudar a Shunde Rixin a construir uma ferrovia, um píer e outras instalações de transporte, de acordo com a imprensa.

 

Esta não é a primeira incursão chinesa na América do Sul como parte de suas recentes tentativas de diversificar as fontes de importação de minério. No final de novembro, o grupo Wuhan Iron and Steel fechou acordo para investir US$ 400 milhões na MMX Mineração e Metálicos, por meio de uma emissão privada de ações. Como parte do acordo, a MMX vai exportar minério para a Wuhon.

 

Em meados de novembro, a Wuhan Iron disse ter assinado um contrato de compra de longo prazo com a Venezolana de Guayana, da Venezuela, para ajudar as usinas chinesas a diversificar suas ofertas de minério. As informações são da Dow Jones.

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