Chineses já estão no Brasil para tocar a produção

Ao todo, 120 técnicos chineses estão instalados em Jacareí e outros 150 devem chegar nos próximos dias

O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2013 | 03h06

Acostumado ao regime chinês, onde a terra pertence ao Estado e seu uso é uma concessão, o vice-presidente mundial da Chery, Du Weiqang, emocionou-se ao receber a escritura do terreno de 1 milhão de metros quadrados, doado pela Prefeitura de Jacareí. "Percebia-se a emoção dele olhando aquele papel em suas mãos", lembra Luis Curi, vice-presidente da Chery do Brasil. A área abrigou, no passado, uma plantação de arroz, um dos alimentos mais consumidos no país asiático.

Atualmente, há cerca de 120 técnicos chineses em Jacareí trabalhando na montagem das máquinas que chegam ao País. Mais 150 devem chegar nos próximos meses para iniciar o treinamento dos 800 metalúrgicos que vão trabalhar na primeira fase de produção. Esse número deve chegar a 1,7 mil quando a fábrica operar com a capacidade de 150 mil veículos ao ano.

Também há entre 20 e 25 chineses em cargos executivos, incluindo o presidente da Chery do Brasil, Kong Falong, que tem se dedicado a aulas de português. Um grupo de chineses instalou-se em Jacareí e na vizinha Salto (onde ficará o escritório da marca) e mora numa espécie de república montada nas duas cidades. Eles até trouxeram cozinheiros chineses, que não deixam faltar língua de pato.

Muitos cargos de chefia terão brasileiros, como Curi, economista de 52 anos que já trabalhou na Suzuki, na Mazda e na Ssangyong. Foi ele que, em 2007, foi à China negociar a representação da marca no Brasil e, junto com sócios, iniciou a importação dois anos depois.

Cada um dos executivos brasileiros tem um assistente chinês, uma espécie de "sombra" que faz a conexão com a matriz. "A filosofia de trabalho deles é focada na eficiência", diz Curi.

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