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Chineses reclamam de entraves a investimentos no Brasil

Brasil recebeu US$ 95 milhões em investimentos da China em 2006.

Marina Wentzel, BBC

10 de setembro de 2007 | 10h26

Empresários chineses dizem que a demora na emissão de vistos de trabalho e a moeda valorizada têm sido os principais entraves a investimentos no Brasil.As queixas foram feitas durante o encontro anual do Conselho Empresarial Brasil-China, no domingo, em Xiamen. "Eu tive problemas para conseguir vistos de trabalho para dois funcionários importantes e outros quatro gerentes. Entraves como esses dificultam as nossas operações no Brasil", disse Dai Baolong, presidente da operação brasileira da Minmetals, à BBC Brasil. Segundo Dai, o processo de obter vistos de trabalho é demorado e limitado, já que permite permanência por apenas três meses. O visto para chineses fica pronto, em média, em duas semanas. O visto para brasileiros em visita de negócios à China sai em até 24 horas.O empresário diz ainda não entender como é possível que autoridades do Planalto digam que vão cuidar do assunto, mas pareçam não tomar providências. Para tentar encontrar soluções para estes e outros problemas apontados por chineses, o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Ivan Ramalho, propôs a organização de reuniões bilaterais a cada 45 dias com representantes do governo e da iniciativa privada dos dois países.A embaixada brasileira afirmou processar os vistos dentro dos prazos normais e ressaltou que a emissão do documento tem de seguir uma formalidade pré-estabelecida, que envolve autorizações emitidas no Brasil. Segundo a legislação brasileira, a emissão de vistos de residência a trabalhadores estrangeiros depende de investimentos feitos pela empresa no pais.Cada US$ 200 mil em investimentos dá direito a empregar um trabalhador estrangeiro. O problema com a burocracia para obtenção de vistos é antiga. Em 2004 um relatório do ministério do Comércio da China já apontava para o entrave.Em junho daquele ano, os dois países concordaram em emitir vistos de múltiplas entradas válidos por até três anos para viajantes que fazem negócios nos dois países. Mas esse acordo não facilita a entrada permanente de chineses. Os empresários chineses também reclamaram da falta de competitividade nas exportações, conseqüência de um câmbio forte. A valorização do real frente ao dólar tornou algumas operações deficitárias, de acordo com os chineses. "Em 2002, nós investimos no Brasil, abrindo fábricas de processamento de madeira", diz Lu Weiguang, presidente da A&W, produtora de laminados para pisos."Tivemos um bom resultado no primeiro ano, mas a partir do segundo semestre de 2006 as coisas pioraram, com perdas na margem de lucro de até 35%. Consequentemente tivemos de demitir funcionários", lamenta Lu.Apesar das queixas, a relação entre os dois países é promissora e "está a ponto de decolar" acredita Miao Gengshu, presidente da seção chinesa de Conselho Empresarial Brasil-China.Em discurso durante o evento, Miao ressaltou que o Brasil é o maior parceiro comercial da China na América Latina e recebeu em 2007 mais de US$ 95 milhões em investimento estrangeiro direto chinês."Nós devemos perceber as oportunidades e trocar experiências para alcançar uma cooperação de verdade", concluiu Miao. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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