Chineses vão liderar investimentos no Brasil

Com US$ 20 bi aplicados no País este ano, China anima a economia, mas coloca medo nos empresários

, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2010 | 00h00

As autoridades chinesas passaram anos acenando com investimentos bilionários, que nunca se realizavam, provocando frustração e queixas no Brasil. Nos últimos meses, porém, a China resolveu partir da retórica para a prática e rapidamente virou o jogo no País.

Nos últimos três meses, as empresas chinesas fecharam negócios em valores dez vezes maiores que os investimentos realizados no País nos últimos três anos. Este ano, os chineses já anunciaram US$ 20 bilhões entre investimentos e empréstimos para a Petrobrás. A previsão é que o valor chegue a US$ 25 bilhões até o fim do ano.

Com esses números, a China deixa de ser uma promessa para virar o maior investidor estrangeiro no País em 2010. E, segundo um estudo da consultoria Deloitte, os investimentos no Brasil podem ultrapassar US$ 40 bilhões por ano até 2014. Esse movimento provoca uma reação ambígua no Brasil, como quase tudo que diz respeito à relação com a China. Com seu apetite insaciável pelas matérias-primas produzidas pelo Brasil, do minério de ferro à soja, a China foi um dos principais motores do crescimento econômico brasileiro na última década.

Mas o cliente e rival asiático assustou os industriais brasileiros com sua capacidade de produzir e exportar produtos a preços baixíssimos, tomando lugar das mercadorias nacionais aqui e em mercados no exterior.

Com o novo ciclo de investimentos, não é diferente. Os recentes anúncios de compras ou negociações de minas, áreas de exploração de petróleo e terras para agropecuária, acenderam o sinal de alerta nas organizações que representam os empresários brasileiros.

Organizações como a Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) alertam para o risco de os chineses comprarem minas no País e usarem o minério para controlar os preços e inundar o mercado brasileiro com aço barato.

Parte desse medo vem da velocidade das mudanças no país asiático. Há três décadas o país cresce a uma taxa média de 9,6% ao ano, algo inédito na história mundial recente. Em dez anos, passou da sétima à primeira posição no ranking dos exportadores. Este ano, a China ultrapassou o Japão como a segunda maior economia do mundo.

Este caderno especial mostra o acelerado avanço do país asiático, o papel do Estado na economia chinesa, a interdependência com os Estados Unidos e o perfil dos investimentos chineses do Brasil - o início de uma história que pode, mais uma vez, mudar a trajetória da economia brasileira.

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