Chipre pede assistência financeira à UE

Setor bancário do país foi altamente afetado pela exposição à crise grega; necessidade imediata é de 1,8 bi até dia 30

NICÓSIA, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2012 | 03h05

O Chipre tornou-se ontem o quinto país da zona do euro a buscar ajuda financeira dos fundos de resgate da União Europeia (UE), anunciando que solicitou ajuda para seu setor bancário afetado pela exposição à crise na Grécia.

Chipre precisa levantar pelo menos 1,8 bilhão - equivalente a cerca de 10% de sua produção doméstica - até o dia 30 para satisfazer os reguladores europeus em relação à saúde do Banco Popular de Chipre, e o país pode ainda precisar de mais.

"O propósito da assistência requerida é conter os riscos à economia cipriota, sobretudo àqueles decorrentes dos efeitos negativos a seu setor financeiro, por causa da ampla exposição da economia grega", anunciou o governo.

Com o resgate amplamente considerado como inevitável, o Chipre vinha tentando há semanas avaliar a melhor opção entre um resgate dos fundos europeus - o temporário Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (Feef) e o permanente Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE)- ou um empréstimo bilateral de Rússia ou China.

O presidente cipriota, Demetris Christofias, deve conversar com líderes políticos hoje, de acordo com um comunicado da presidência.

Se o Chipre assinar o programa de resgate da UE, vai se juntar a Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha.

Christofias, único líder comunista da UE, tem se mostrado relutante em aceitar as condições fiscais e regulatórias que podem estar ligadas a um resgate europeu. Viagens no fim de semana de autoridades do governo para a China sugeriam que o Chipre ainda tinha a esperança de um empréstimo bilateral de um terceiro país.

O ministro do Comércio, Indústria e Turismo, Neoklis Sylikiotis, confirmou que as discussões na China se concentraram em um empréstimo ou investimento chinês no Banco Popular do Chipre. "Tivemos alguns contatos... Pedimos uma resposta nos próximos dias", disse ele.

Autoridades dizem que qualquer ajuda via Feef restringiria ao setor bancário, e não a questões orçamentárias mais abrangentes.

Em Bruxelas, o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, disse que os países da zona do euro examinarão "rapidamente" o pedido de ajuda financeira apresentado por Chipre, cuja aceitação está condicionada a medidas capazes de fazer frente aos desafios econômicos enfrentados pela ilha.

"É com satisfação que recebo o pedido formal de assistência financeira feito hoje (ontem) pelas autoridades cipriotas", declarou Juncker por meio de nota. O Eurogrupo reúne os ministros de Finanças dos 17 países da zona do euro.

Segundo Juncker, as condições à ajuda "incluem a adoção de medidas capazes de fazer frente aos principais obstáculos enfrentados pela economia cipriota, em especial ao do setor financeiro", declarou. / DOW JONES NEWSWIRES

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