Chipre pede socorro extra à UE para financiar crescimento

Governo quer renegociar acordo; objetivo é conseguir mais prazo para equilibrar contas e pagar empréstimo

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2013 | 02h08

Recém-socorrido com um pacote de € 10 bilhões em empréstimos da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI), o governo do Chipre anunciou ontem a disposição de reabrir as negociações e flexibilizar os prazos do plano de resgate e obter recursos para "financiar o crescimento do país". A proposta foi feita ontem pelo presidente cipriota, no primeiro dia do encontro de ministros de Finanças da zona do euro, que se reuniram ontem, em Dublin, na Irlanda.

O pedido de renegociação foi feito pelo presidente Nicos Anastasiades, que anunciou a intenção de escrever ao presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, e ao presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy. "A carta vai sublinhar a necessidade de uma mudança na política da União Europeia em relação ao Chipre, nos dando tempo adicional e levando em conta as dificuldades que enfrentamos em razão da crise econômica e das medidas que nos foram impostas", afirmou Anastasiades.

Pelos cálculos de Bruxelas, Chipre deve enfrentar uma depressão econômica nos próximos três anos, quando seu Produto Interno Bruito (PIB) deverá recuar 8,7% em 2013, 3,9% em 2014 e 1,1% em 2015.

Horas depois das declarações de Anastasiades, o porta-voz da presidência veio a público esclarecer que, apesar da crise, o governo cipriota não está pedindo mais recursos, e sim a flexibilização de algumas cláusulas do plano de socorro. "O governo não pediu uma ajuda financeira adicional, mas espera obter recursos adicionais significativos para financiar o crescimento e a coesão social", reiterou Christos Stylianides. Na prática, os cipriotas desejariam ter acesso aos fundos estruturais da União Europeia, cujos recursos servem para custear obras de infraestrutura em todo o bloco, estimulando o crescimento.

Enquanto o Chipre espera mais atenção, os ministros de Finanças da zona do euro ainda estão estabelecendo as condições do empréstimo de € 10 bilhões que foi concedido ao país, como parte do plano de resgate assinado em março. "Eu espero que possamos finalizar os procedimentos até o final de abril", afirmou Olli Rehn, comissário europeu de Relações Econômicas.

Em contrapartida ao empréstimo, o governo cipriota assinou o compromisso de encontrar outros € 7 bilhões. A principal medida foi o confisco de investimentos e poupança de clientes de bancos com mais de € 100 mil em suas contas. O corte nas contas correntes deve chegar a 60%, em média, o que representará cerca de € 5,8 bilhões em arrecadação.

Apesar disso, na quinta-feira o governo cipriota afirmou que, além dos € 17 bilhões, precisará de outros € 6 bilhões para equilibrar suas contas públicas e socorrer seu sistema financeiro.

Portugal. Além do Chipre, a situação de Portugal também preocupa os ministros de Finanças. A lei de orçamento proposta pelo primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, foi censurada pelo Tribunal Constitucional há 15 dias. Com isso, um novo buraco de € 1,3 bilhão foi aberto nas contas públicas, e sem novos cortes de gastos ou aumento de taxas Lisboa não conseguirá cumprir as metas de redução do déficit e da dívida acertadas com a UE, o Banco Central Europeu e com o FMI.

Ontem, Passos Coelho anunciou a intenção de cortar € 600 milhões em gastos e investimentos públicos. "Vamos antecipar as medidas previstas para 2014", afirmou o primeiro-ministro, prometendo novas medidas, mas sem aumento de impostos. "Nós trabalharemos para encontrar novas medidas que terão um valor equivalente."

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