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Chips feitos no RS começam a ganhar mercado

Para atender à demanda, Ceitec procura profissionais no exterior

Elder Ogliari, PORTO ALEGRE, O Estadao de S.Paulo

06 de fevereiro de 2008 | 00h00

Um ano antes de colocar a primeira fábrica de circuitos integrados da América Latina em operação comercial, o Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec) já projetou dois chips, está trabalhando em outros dois e acaba de fechar contratos para desenvolver mais dois. Para atender à demanda, começou a repatriar profissionais especializados, que saíram do País em busca de emprego e decidiram voltar diante das novas perspectivas do mercado nacional."Estamos invertendo a idéia de que o Brasil perdeu o bonde da história na microeletrônica e mostrando que há mercado para o desenvolvimento e fabricação de chips no Brasil", diz o diretor-presidente do Ceitec, Sérgio Souza Dias, satisfeito porque os resultados já obtidos demonstram demanda espontânea pelos produtos. "Isso tudo (as encomendas) apareceu sem sairmos para a rua para vender", diz.O Ceitec teve origem no ano de 2001, quando a Motorola doou equipamentos de R$ 15 milhões para o governo gaúcho instalar uma planta-piloto e criar ambiente propício à produção de circuitos integrados. O projeto ficou parado até 2004, quando o Ministério da Ciência e Tecnologia decidiu investir os R$ 250 milhões necessários à construção dos prédios, no bairro Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre.Criado com a personalidade jurídica de associação civil sem fins lucrativos, o empreendimento será transformado em sociedade anônima, com capital do governo federal, ainda este ano. Como não dependia de uma fábrica pronta, a área de projetos (o design center) do Ceitec começou a funcionar em 2005, dentro do Tecnopuc, o centro tecnológico da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Em março de 2007, o design center entregou seu primeiro chip comercial, um circuito integrado projetado em parceria com a Altus que a empresa vai usar em seus sistemas de automação industrial. O segundo também está pronto. É uma etiqueta eletrônica inteligente para facilitar o controle de estoques e substituir o código de barras, desenvolvido para a empresa Innalogics, que fará a comercialização do produto.Outros dois chips estão em desenvolvimento. Um deles será um componente de moduladores dos sistemas de transmissão digital fabricados pela RF Telavo. O outro é um circuito integrado para rastreabilidade animal, apelidado de "Chip do Boi", que o Ceitec está projetando sozinho.Em janeiro, entraram mais dois projetos. Um deles vai criar um chip para sistema de internet de banda larga, em consórcio com cinco empresas. O outro será um circuito para o sistema de demodulação de transmissões digitais, a ser usado nos aparelhos receptores, encomendado por um fabricante de componentes para TVs.O design center já emps de mais 9 projetistas por pelo menos dois anos, e mais 24 por pelo qrega 36 projetistas e esse número deve crescer. "Precisaremouatro anos", revela Dias. Como há dificuldade para recrutar esses profissionais no País, a busca ultrapassa as fronteiras. Além dos seis projetistas já repatriados, o Ceitec buscará outros no exterior. Os salários variam de R$ 3 mil a R$ 9 mil.Um dos repatriados, o paulista Murilo Pilon Pessatti, supervisor de Projetos Analógicos, é engenheiro eletricista formado pela USP, com mestrado em circuitos integrados analógicos na Unicamp. Ele passou dois anos trabalhando no design house Chip Idea, em Portugal, e retornou em 2006 para o Ceitec. "Estou satisfeito com a mudança. "O poder aquisitivo do pelo salário é equivalente."

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