Chiquita rejeita nova oferta da Crutale e do Safra

Para conselheiros, proposta das empresas brasileiras  é 'inadequada' e acionistas devem manter fusão com irlandesa

O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2014 | 02h02

O conselho de administração da fabricante de bananas Chiquita considerou, por unanimidade, como inadequada a oferta da brasileira Cutrale e do banco Safra de US$ 14 dólares, segundo comunicado divulgado nesta ontem. Para os conselheiros, a oferta da empresa de suco de laranja e do banco não atende aos interesses dos acionistas da empresa.

A Chiquita reafirmou recomendação para que os acionistas votem favoravelmente à fusão com a Fyffes. E acrescentou que o "conselho estará sempre disposto a considerar uma oferta maior da Cutrale e do Safra".

Na quarta-feira, depois de receber uma série de negativas do conselho de administração da Chiquita, os brasileiros do partiram para o embate e decidiram fazer uma oferta direta aos acionistas da companhia americana, que eles tentam comprar desde agosto. Esse tipo de transação - em que uma empresa tenta adquirir uma companhia de capital aberto sem a aprovação da proposta por parte do conselho executivo da empresa-alvo - é conhecida no mercado como oferta hostil.

A produtora brasileira de suco de laranja Cutrale e o banco Safra elevaram sua oferta para adquirir a Chiquita para US$ 14 por ação em dinheiro - valor que supera em US$ 1 o que foi oferecido em agosto. No comunicado, as empresas afirmaram que a proposta é "definitiva".

A dificuldade das empresas brasileiras é que a Chiquita está em processo de fusão com a Irlandesa Fyffes desde março e teria de abandonar o negócio para aceitar a proposta de compra.

A proposta melhorada de Cutrale-Safra avalia a Chiquita em cerca de US$ 658 milhões, ou o equivalente a 12,4 vezes o Ebtida (lucros anuais antes de juros, impostos, depreciação e amortização, acrescentou o comunicado.

A Chiquita havia concordado em março em realizar uma fusão com a Fyffes para criar o maior fornecedor mundial de banana. A nova oferta da Cutrale-Safra representa um prêmio de cerca de 40% sobre o preço de US$ 10,06 do fechamento da ação da Chiquita no dia 8 de agosto. Também é 19% superior ao preço da Chiquita baseado nos termos revisados da negociação com a Fyffes. A compra da Chiquita por Cutrale e Safra seria financiada com capital próprio. "Ao contrário da combinação proposta com Fyffes, a oferta superior de Cutrale-Safra dá aos acionistas da Chiquita completa certeza quanto ao valor de seus investimentos na Chiquita", dizia a nota das empresas brasileiras.

A união de Chiquita e Fyffes formaria uma empresa avaliada em cerca de US$ 1 bilhão, líder no mercado global de bananas. O segmento movimenta US$ 7 bilhões por ano e hoje é controlado por Chiquita, pelas americanas Fresh Del Monte Produce e Dole Food Company e pela Fyffes. A Chiquita fatura US$ 3 bilhões por ano e soma 22% da produção mundial de bananas, além de vender também abacaxi, maçã, saladas prontas e alimentos processados a base de frutas.

A compra da companhia americana seria mais um passo na diversificação de negócios da Cutrale, focada atualmente na produção de suco de laranja - um segmento que vem sofrendo com a queda no consumo do produto. A empresa começou a produzir soja há dois anos, mas ainda tem o suco de laranja como seu principal negócio.

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