Chirac confirma protecionismo agrícola até 2006

O presidente Jacques Chirac , ao contrário do que se diz, continua empenhado na defesa dos subsídios e ajudas à agricultura francesa, não aceitando nenhum debate sobre a reforma do PAC, a Política Agrícola Comum, antes de 2006. Neste fim de semana, durante a inauguração do Salão de Agricultura de Paris, uma das maiores manifestações do setor na Europa, o presidente francês não só contestou, mas se irritou com a insistência do comissário europeu para a agricultura, Franz Fischler, que trabalha para que essa reforma seja feita o mais rapidamente possível, convencido que "esperar até 2006 seria a pior das coisas". Chirac afirmou não entender essa insistência do comissário. Quando da passagem do presidente Lula por Paris, Chirac, indagado sobre o protecionismo agrícola francês, ousou dizer que isso era "mais propaganda do que realidade". Hoje, apesar disso, o comissário de nacionalidade alemã continua anunciando que pretende fechar o seu projeto de reforma até o final de junho, o que preocupa cada vez mais os agricultores franceses, muito dependentes das subvenções atuais, com uma esperada queda de suas rendas. Além disso, afirma também que "é preciso levar em conta nossas obrigações internacionais, mesmo se a reforma da PAC não será feita para agradar o Brasil e os Estados Unidos", prometendo uma posição ofensiva da Europa na próxima reunião da OMC. Braço de ferroNo Salão da Agricultura, uma verdadeira fazenda modelo montada na Porte de Versailles, em Paris, não se falava de outra coisa, a não ser o braço de ferro entre Chirac e Fischler. De um lado o chefe de Estado defendendo o protecionismo para a agricultura e de outro a posição de outros países cansados de pagar alto para manter subvenções e ajudas que beneficiam, prioritariamente, a França. Só as ajudas diretas passaram de 27% das rendas agrícolas em 1993 a 40 % hoje em dia, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas. Se a reforma do PAC não for feita rapidamente, a Europa corre o risco de encontrar-se numa posição muito difícil no próximo round da OMC, em setembro, afirmou o comissário alemão. Na sua opinião, o statuo quo é prejudicial à França, mas tanto a FNSEA, Federação Nacional da Agricultura, quanto a Confederação dos Agricultores de José Bové ? as duas grandes organizações de classe da Franca ? são contrárias. Franz Fischler afirma respeitar muito o presidente Chirac, mas diverge dele, apesar do objetivo de ambos ser o mesmo, tendo acrescentado: "Ausência de reforma da PAC em nada ajudaria os agricultores franceses".Discussões sobre o setor de frangosOutro tema que prevalece no salão é a concorrência no setor de exportação de frangos, onde o Brasil e a Tailândia ganham a cada ano parte do mercado de exportação, penalizando a França, cuja produção atravessa uma fase de grande marasmo. Esses dois países fornecem seus produtos a um preço até 30% inferior. Na semana passada, o Ministério da Agricultura anunciou o fechamento de 400 mil metros quadrados de galinheiros na região da Bretanha. Os produtores serão indenizados na base de 14 euros por metros quadrado. Isso já ocorreu no passado com a produção suína e o leite, mas agora é o frango bretão que perde plumas. A região conta com 3500 produtores fornecendo dois milhões de toneladas ? mais da metade destinada a exportação, atualmente em queda brusca, principalmente para o Oriente Médio, onde o Brasil continua entrando. O grupo Doux, de origem francesa, já deslocou grande parte de suas atividades para o Brasil, estabelecendo uma ponte de exportação muita mais eficaz.

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