Choque de gestão e aumento de produção dão fôlego a HRT e OGPar

Petróleo. Alvo de desconfianças dos investidores após sucessivas perdas, petroleiras nacionais reverteram prejuízos nos primeiros seis meses do ano; produção das companhias, sem considerar Petrobrás, aumentou 73% em comparação com o 1º semestre de 2013

ANTONIO PITA , MARIANA SALLOWICZ / RIO , O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2014 | 02h04

Protagonistas de perdas importantes e alvo de desconfianças do mercado financeiro, as petroleiras nacionais HRT e Óleo e Gás Participações (OGPar, antiga OGX) comemoram os resultados do primeiro semestre após um forte choque de gestão e mudanças de estratégias de atuação. No entanto, cortes de custos e crescimento da produção em relação a uma base fraca de comparação são os principais fatores que explicam o bom desempenho.

Levantamento feito pelo analista do setor de petróleo Walter de Vitto, da consultoria Tendências, com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), mostra que a produção das companhias do setor (sem considerar Petrobrás) no País aumentou 73% no primeiro semestre de 2014 na comparação com o mesmo período do ano passado. Ao incluir a Petrobrás, esse aumento é de apenas 6,9%.Entre os fatores que impulsionaram essa elevação está a maturação de investimentos feitos em anos anteriores e que começam a entrar em operação.

No caso da OGPar, a média diária de produção de barris equivalentes de petróleo cresceu 68% em junho deste ano ante o mesmo mês de 2013, mostram os dados. A companhia começou a explorar o campo de Tubarão Martelo em dezembro de 2013 e retomou a produção de Tubarão Azul em fevereiro, ambos localizados na Bacia de Campos.

Situação semelhante acontece com a HRT, que repassou a operação do projeto Solimões e busca fazer o mesmo com ativos na Namíbia para se concentrar no seu único campo produtor, o de Polvo, na Bacia de Campos. A produção da companhia caiu 21% no semestre, em relação ao mesmo período do ano anterior, mas a receita obteve ganhos em função de uma melhor negociação quanto ao preço do óleo produzido. Em teleconferência ao mercado, a empresa também destacou como responsáveis pela melhor situação financeira os avanços operacionais, com aumento de eficiência e redução de custos - a empresa cortou o quadro de funcionários em mais de 50%.

A HRT fechou o período com lucro de R$ 11,4 milhões, ante prejuízo de R$ 645 milhões nos primeiros seis meses de 2013. Já a petroleira de Eike Batista registrou, no primeiro semestre, lucro de R$ 516 milhões, enquanto no mesmo período de 2013 a empresa teve um prejuízo de R$ 5,5 bilhões.

Pedro Galdi, analista de investimentos da SLW Corretora, acredita que as duas empresas entraram numa curva de aprendizado. "Parece que encontraram um ponto de equilíbrio. As empresas agora tendem a ter uma geração de caixa mais robusta para fazer mais investimentos e acelerar a produção".

A petroleira de Eike Batista conseguiu dar andamento a sua recuperação judicial, com a aprovação do plano pelos acionistas em 3 de junho. As recentes alterações na OGX permitiram a continuação dos negócios, mas também resultaram em planos menos ambiciosos, destacam analistas. "No caso da OGX, havia expectativa de que ela estivesse produzindo num patamar muito maior", diz o analista da Tendências.

Desconfiança. Como consequência da redução das empresas, grande parte do mercado financeiro parou de acompanhar as operações de ambas as companhias. Na quarta-feira, por exemplo, a HRT anunciou a redução de participação do banco Morgan Stanley em sua composição acionária.

Apesar das melhoras reportadas no primeiro semestre, o tempo para a comemoração promete ser curto. A gestão da HRT, por exemplo, é desacreditada por acionistas minoritários, em função de mudanças na composição dos conselhos via ação judicial.

À frente de um grupo de minoritários, Renzo Bernardi tentou se eleger conselheiro fiscal para acompanhar de perto a gestão. Ele afirma ter perdido 70% de seu investimento com a empresa, mas acredita no potencial da companhia. "Para achar petróleo e desenvolver o campo, você precisa de dinheiro e ela não tem. É um bom veículo, mas com um mau motorista", diz.

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