'Choques externos' podem reduzir crescimento da América Latina, diz FMI

Para Fundo, impacto na região poderia ser de até dois pontos percentuais em 2008.

BBC Brasil, BBC

09 de novembro de 2007 | 16h55

O aperto do crédito e uma recessão nos Estados Unidos poderiam reduzir em até dois pontos percentuais o crescimento da América Latina em 2008, de acordo com a avaliação do FMI (Fundo Monetário Internacional)."A América Latina continua sensível à desaceleração da demanda externa e à possível deterioração de suas relações de troca", diz o comunicado em que o FMI divulga o relatório "Perspectivas Econômicas: As Américas", publicado nesta sexta-feira.O Fundo avalia que, embora a maioria dos países da região tenha conseguido lidar com a turbulência dos mercados e a desaceleração da economia americana, os riscos de que o crescimento fique abaixo do esperado aumentaram recentemente."E há alguns sinais de que as melhorias nos fundamentos econômicos da região podem vir a sofrer um retrocesso caso não se reforce a política econômica", afirma o documento do FMI.O relatório foi apresentado a políticos, empresários e acadêmicos em São Paulo nesta sexta-feira, com a presença de Anoop Singh, diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI.Para Singh, "se a desaceleração nos Estados Unidos for maior que a esperada, ou o período de turbulência se prolongar, não há dúvidas de que a América Latina sentirá um impacto."Segundo o relatório do FMI, se os governos da região continuarem com as despesas no ritmo atual (de 8% a 10% em termos reais), é possível que os superávits fiscais primários se transformem em déficits nos próximos anos."Como a região ainda apresenta níveis substanciais de endividamento, a possibilidade de deterioração fiscal diante das despesas atuais é um motivo de grande preocupação", observou Singh.Apesar dos alertas, o relatório do FMI prevê que a América Latina continuará crescendo a um "ritmo vigoroso" em 2008, impulsionada pelo declínio das dívidas públicas na maioria dos países e pelo amplo consenso na região sobre a preservação da estabilidade econômica.O documento do Fundo destaca a diminuição do desemprego na região, acompanhada pelo declínio significativo da pobreza."O Brasil, por exemplo, conseguiu baixar a sua taxa de pobreza de 34%, em 2002, para 27%, em 2006", cita o relatório, acrescentando que a desigualdade também vem diminuindo desde 1999 na maioria dos países da região.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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