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Christine Lagarde vira consenso na UE para o FMI

Enquanto europeus se unem em torno de um nome, emergentes não conseguem se articular, tornando mais difícil a mudança no comando

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2011 | 00h00

As maiores economias da Europa fecham seu apoio à candidatura da francesa Christine Lagarde para a direção do Fundo Monetário Internacional (FMI). Mas é a falta de consenso entre as grandes economias emergentes sobre quem deve liderar a instituição que se transforma no ponto mais forte para a candidatura da Europa na corrida pelo cargo deixado pelo francês Dominique Strauss-Kahn.

Hoje, o FMI começa oficialmente a receber candidaturas para o posto. Mas diplomatas e o próprio mercado já avaliam a corrida como um teste de maturidade política para os Brics.

Os países europeus parecem ter superado suas divergências para garantir que um representante do bloco à frente do órgão. No fim de semana, negociações permitiram que as quatro maiores economia da UE - Alemanha, Itália, Reino Unido e França - chegassem a uma aparente posição de consenso em torno do nome de Christine, atual ministra de Finanças da França.

Depois do apoio de Alemanha, França e Itália, ontem foi a vez do Reino Unido declarar seu apoio à francesa. O secretário do Tesouro, George Osborne, qualificou Christine como "a melhor pessoa para o cargo". "Será ainda bom ver a primeira mulher na direção do FMI em seus 60 anos", disse. O apoio dada à francesa enterra de vez a possibilidade de uma candidatura do ex-primeiro-ministro, Gordon Brown.

"Muitos países a apoiam", afirmou o ministro do Interior da França, Claude Gueant, braço direito do presidente Nicolas Sarkozy. A nota destoante veio da Suíça, que indicou ontem que não necessariamente apoiará um europeu para o FMI.

O FMI quer ter seu processo concluído até 30 de junho, e a demonstração de união em torno de Christine seria uma forma de mostrar que existe uma massa crítica favorável à francesa, pelo menos entre os ricos.

Emergentes. Enquanto a Europa se mobiliza, os emergentes enfrentam dificuldades para chegar a um nome comum para apresentar como candidato. Um dos mais cotados, o turco Kema Dervis, anunciou que não seria candidato. China, Rússia e Índia já indicaram que não querem ver outro europeu no cargo. Mas a aposta da Europa é de que, apesar da resistência, os emergentes não tem um candidato único, o que enfraquece sua causa e mesmo uma eventual campanha.

Ontem, o governo mexicano confirmou que deve anunciar o nome de seu ministro Agustín Carstens, que foi vice-presidente do FMI até 2006. Outros nomes, como o do indiano Montex Ahluwalia, do sul-africano Trevor Manuel e do polonês Leszek Balcerowicz vêm também sendo citados. O Chile indicou que poderia ter candidato próprio, enquanto a Rússia sinalizou que apoiaria um candidato do Casaquistão. O ministro de Finanças de Cingapura, Tharman Shanmugaratnam, ainda tem o apoio da Tailândia e Filipinas.

O próprio Brasil indicou que não teria necessariamente uma posição comum à de China ou Índia e não veria problemas em escolher um europeu. Mas insiste que não é a nacionalidade que deve contar. No caso dos emergentes, a disparidade de visões em torno do papel do FMI também pode ser um obstáculo para se chegar a um nome de consenso.

Por enquanto, o único ponto de acordo entre os Brics foi formulado em abril, e aponta que "a estrutura de poder das instituições financeiras internacionais deve refletir as mudanças na economia mundial".

A chave da decisão estará nas mãos dos Estados Unidos. O tema entrará na agenda da cúpula do G-8, nesta semana, na França, e os europeus não escondem que esperam um apoio de Barack Obama para Christine Lagarde. A francesa trabalhou por 20 anos nos Estados Unidos, conhece a cultura econômica americana e é vista como alguém próxima de Washington.

Para ser eleito, um candidato ao FMI precisa de 85% dos votos. Só os EUA têm 17%, o que significa que teria quase um direito de veto sobre o nome.

Outro desafio de Christine Lagarde, porém, é o de convencer que ela não será atrapalhada por dois processos na Justiça, em que é acusada de abuso de poder na França e de ter favorecido um amigo do presidente Nicolas Sarkozy, em uma decisão judicial que garantiu a esse amigo 285 milhões.

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