Renda extra

Fabrizio Gueratto: 8 maneiras de ganhar até R$ 4 mil por mês

Chuva e estradas precárias fazem frete disparar em MT

Produtores pagaram até 50% a mais desde o início da safra por causa da concorrência e da lentidão do transporte

O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2014 | 02h14

Se em boa parte do Sudeste praticamente não choveu na época das águas - os meses de verão -, no Centro-Oeste, em Tangará da Serra, oeste de Mato Grosso, a chuva atrapalhou bastante não só a colheita, mas também o transporte da safra, por causa das estradas precárias, de terra, onde atolaram inúmeros caminhões. "O preço do frete subiu 30% em relação ao início da safra", confirma o agricultor Vanderlei Reck Junior, que planta soja, arroz e milho, alternadamente, em 3 mil hectares. "As estradas, que já não são boas, ficaram piores por causa da chuva e, como tivemos de colher com tempo muito úmido, os armazéns terceirizados que secam a soja demoraram muito mais tempo para levar os grãos ao teor ideal de umidade", continua Reck Júnior. Assim, como num efeito dominó, com a maior demora dos caminhões nos armazéns e outros parados no atoleiro, além da típica e forte demanda pelos serviços dos caminhões em pleno período de safra, o resultado foi o aumento explosivo do preço do frete em apenas dois meses.

Segundo Edeon Vaz Ferreira, consultor em logística da Aprosoja-MT, Mato Grosso tem 25 mil quilômetros de estradas estaduais, dos quais apenas 5.400 quilômetros pavimentados, "todas, porém, em estado deplorável". É no bolso do produtor que mais pesa essa precariedade. No caso do agricultor Israel Vendrame, também de Tangará da Serra, o preço do frete de apenas 120 quilômetros entre a lavoura e o armazém onde seca e guarda sua soja, produzida em 1.200 hectares, subiu 50% durante a colheita. "Eu comecei pagando R$ 30 a tonelada no início da safra e tive de reajustar para R$ 46, senão a transportadora disse que não levaria a carga", lamenta ele, dizendo, porém, que, se ele tivesse caminhão próprio, se recusaria a utilizá-lo para transportar a própria safra. "Em uma estrada de apenas 120 quilômetros há quatro ou cinco grandes atoleiros. É desanimador. A gente ganha por um lado, mas perde por outro." Ele lembra que, sem tanta chuva no ano passado, o preço médio do frete ficou em R$ 30.

Segundo Ferreira, Mato Grosso dispõe do Fundo Estadual de Transporte e Habitação que foi, porém, sendo modificado por nada menos do que 14 leis. "Hoje esse fundo serve para tudo, menos para transporte e habitação", diz Ferreira. "Então, embora tenha havido investimentos do governo federal em algumas estradas federais, as estaduais, que interligam as federais, estão abandonadas."

Outra alternativa, segundo Ferreira, é a utilização do modal ferroviário. "Entretanto, a ferrovia que parte da região central de Mato Grosso, em Rondonópolis, e transporta os grãos até o Porto de Santos, é operada por uma única concessionária, a ALL, que vai me cobrar o mesmo preço do modal rodoviário. "Ferrovia é uma opção mais barata se não há monopólio", diz. / T.R., ESPECIAL PARA O ESTADO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.