Célio Messias/ AE
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Chuva provoca quebra de safra de amendoim

Perdas chegam a 20% na região de Jaboticabal (SP); produtores, agora, esperam que preço da saca melhore

Brás Henrique, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2011 | 00h00

Apesar da quebra de produção do amendoim, provocada pelas chuvas em março e abril, período que deveria terminar a colheita na região de Ribeirão Preto (SP), a safra foi considerada boa pela Cooperativa dos Plantadores de Cana da Zona de Guariba (Coplana), que mantém sua unidade de grãos em Jaboticabal. "A chuva impediu a colheita e provocou um problema logístico, de falta de caminhão para o transporte, pois o que se deveria fazer em dois meses se fez em um", diz o superintendente da Coplana, José Arimatéa Calsaverini. "Mas, para a cooperativa, apesar da quebra de 20% da produção, tivemos este ano um desempenho superior à média anterior."

A cooperativa fez um planejamento para uma grande safra e até alugou quatro armazéns externos para estocar amendoim. "Contávamos com isso e ampliamos o nosso raio de atuação", diz Calsaverini. Ou seja, além de seus cerca de 200 cooperados próximos, a Coplana buscou produto na região de São José do Rio Preto, pois tem contratos de exportação firmados com indústrias europeias até meados de 2012.

A perspectiva de estocagem de amendoim diminuiu, pois chegou às 50 mil toneladas, número ainda acima da última safra, que foi de 45 mil toneladas. Se não tivesse a quebra, a cooperativa chegaria a 57 mil toneladas (2,3 milhões de sacas de 25 quilos). "O planejamento foi de crescimento ousado e tivemos essa frustração quanto à perspectiva inicial", diz o superintendente da Coplana.

Recuperação. Os preços do mercado externo ainda geram expectativa nos produtores, pois o câmbio está abaixo do esperado. "O câmbio está bastante punitivo", diz Calsaverini, que, no entanto, espera que o ano seja de recuperação de preços, iniciado em 2010, um ano após a crise internacional que também prejudicou o setor.

Segundo ele, os preços estão voltando a níveis anteriores aos da crise de 2009. Para colocar o grão branco de amendoim blancheado 38/42, em Roterdã (Holanda), recebiam-se US$ 1.700/tonelada antes da crise, caindo para US$ 1 mil/tonelada nesse período, subindo para US$ 1.300/tonelada a US$ 1.400/tonelada em 2010, e voltando atualmente ao nível pré-crise. O problema, no entanto, é o valor do dólar, considerado baixo. Em 17 de maio de 2010 o dólar valia R$ 1,812; um ano depois estava cotado em R$ 1,627. "Não dá para fazer festa."

Certificação. Os maiores produtores de amendoim do mundo são China e Índia. Enquanto os indianos são autossuficientes, os chineses podem começar a importar em breve, segundo Calsaverini. O Brasil é pequeno nesse mercado, com exportação de 45 mil toneladas/ano (grãos beneficiados, sem casca). A Argentina é a maior exportadora, com 400 mil toneladas. A União Europeia, a maior importadora de amendoim, comanda o preço.

Calsaverini garante que um importante passo já foi dado pela Coplana, que conseguiu a certificação da British Retail Consortium (BRC), em dezembro de 2010, para exportar o produto. "Isso é essencial para vender à UE, que paga melhor pelo amendoim."

Produtor de amendoim há 30 anos, Walter Aparecido Luiz de Souza não está muito otimista por causa da quebra de 20%. Na safra passada ele colheu 240 sacas/hectare. Com os irmãos Valdecir e Waldir, Souza plantou 800 hectares, sendo 120 hectares de área própria e o restante em parcerias com usinas e fornecedores de cana. "O clima influenciou na quebra", lamenta. Por causa das condições climáticas deste ano, ele não pretende aumentar a área plantada na próxima safra.

Preço melhor. Quando chove, Souza precisa aguardar o solo secar por dois ou três dias para retomar a colheita. Não há como forçar, senão os caros maquinários são danificados com o solo úmido. A maioria da colheita é em propriedades de Luzitânia, distrito de Jaboticabal. Até a metade de abril, Souza estimava ter colhido 70% da safra. Ele também está na expectativa de preços do produto. "Ainda está tudo quieto", diz, lembrando que em 2010 recebeu em média R$ 22/saca. O melhor preço, segundo ele, ocorreu na safra 2008/2009: entre R$ 27 e R$ 28/saca. "Esses valores seriam os ideais", afirma Souza, citando que a exportação é o caminho inevitável para o setor. "Não tem volta, senão arrebenta o produtor", diz ele.

Um problema antigo enfrentado pelo produtor, Souza diz ter superado: a aflatoxina. "Isso é zero, por isso exportamos." Antes, a secagem, para evitar que essa toxina atingisse os grãos, era feita no campo, por oito dias, pois não havia secador na indústria. "Hoje armazenamos o produto limpo e seco, em casca, até o beneficiamento." O produtor Fábio Henrique Penariol, que planta em 314 hectares em Jaboticabal e Matão, diz que sabia que a quebra de safra era inevitável: também chegou a 20%, inferior à colheita passada, que foi de 260 sacas/hectare.

"Só choveu", resume ele, também na expectativa de preços, já que a colheita terminou em meados de maio. Ao lado do sócio Luiz Carlos Bedore, Penariol espera que o valor da saca supere R$ 23. "Queria que chegasse a R$ 25, R$ 26/saca, mas não deverá atingir isso", lamenta. No entanto, recebeu antecipação de R$ 19/saca.

Também há 30 anos na atividade, o produtor Paulo Eduardo Marconato ficou frustrado com a perda de 30% no campo, após a chuva fora de época. Além da colheita, ele também sentiu a falta de caminhões para transportar o que já estava pronto para ser armazenado. Ele plantou amendoim em 630 hectares, tudo em área arrendada. Segundo ele, sua melhor safra foi em 2001/2002. "A expectativa, agora, é que o preço melhore."

Expectativa

WALTER APARECIDO LUIZ DE SOUZA

PRODUTOR DE JABOTICABAL (SP)

"Ainda está tudo quieto (mercado), mas o ideal é que o preço da saca chegasse a R$ 27, R$ 28."

Estimativa

242, 3 mil t

é a produção de amendoim estimada pela Conab

7,2%

é o aumento de produção em relação à safra anterior

90,4 mil ha

é a área plantada de amendoim, segundo a Conab

61,9 mil ha

é a área plantada no Estado de SP, o maior produtor nacional

Rotação de culturas

No Estado de São Paulo, o cultivo de amendoim normalmente é feito em áreas cuja cultura principal é a cana-de-açúcar. No sistema chamado de rotação de culturas, o amendoim é plantado em áreas de renovação do canavial, antes de a cana voltar a ser cultivada, no mesmo lugar. Como toda leguminosa, o amendoim é benéfico por ter a propriedade de tornar disponível a outras plantas o nitrogênio do solo.

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