Chuvas eliminam risco de racionamento em 2008, aponta relatório

As chuvas deste mês na regiãoCentro-Sul eliminaram o risco de racionamento de energia nesteano, mas incertezas quanto ao fornecimento de gás para o paísainda alimentam temores para 2009 e 2010, opinam analistas. O Instituto Acende Brasil, que representa investidores nosetor de energia elétrica, divulgou nesta terça-feira relatóriode monitoramento da oferta e da demanda. O cenário melhorousignificativamente para 2008, reduzindo de 7 por cento emoutubro para zero, agora, o risco de racionamento. "Persiste, no entanto, um desequilíbrio grave na oferta edemanda para 2009 e 2010", informou o especialista Mario Veiga,da consultoria PSR, que faz o monitoramento para o Acende. Apesar de haver risco também em 2011 e 2012, os doispróximos anos preocupam mais porque não há tempo suficientepara concluir obras de geração de energia e atender à demandacrescente, segundo ele. O Acende constatou que há instabilidade considerável nosuprimento de gás natural usado na operação da maioria dastermelétricas de emergência, acionadas para complementar acapacidade das hidrelétricas quando os reservatórios estãobaixos. Autoridades da Bolívia estiveram no país na semana passadapara pedir perdão da multa se houver descumprimento do contratode fornecimento de 30 milhões de metros cúbicos por dia, queatende metade da demanda do Brasil. A Bolívia quer limitar o envio de gás a 27 milhões demetros cúbicos diários e aumentar o fornecimento para aArgentina, que se dispõe a pagar mais que o Brasil. A Bolíviajá deixou de fornecer gás para a termelétrica de Cuiabá. Entrando, no seu terceiro ano de grave crise energética, aArgentina também já reduziu 2.000 Megawatt médios para o Brasilnuma linha de transmissão na fronteira e cortou o gás queenviava para a termelétrica de Uruguaiana, no sul do país. "No ano passado, o Brasil perdeu 3.500 MW da capacidade de6.600 MW de termelétricas porque não havia gás suficiente paraas usinas", disse Veiga.De acordo com o Acende, se a demanda de energia no país tivercrescimento modesto e a oferta de energia não trouxer surpresasnegativas, o risco de racionamento é de 6 por cento em 2009 ede 8,5 por cento em 2010. Mas se houver crescimento elevado da demanda e atrasos nofornecimento de gás natural e liquefeito, os riscos podem subirpara 10 e 12,5 por cento, respectivamente em 2009 e 2010. O volume de chuvas em março e abril também será importantepara definir o nível dos reservatórios das hidrelétricas até ofinal deste ano, influenciando na segurança dos anos seguintes.O cenário também considera que a Bolívia respeitará o contratocom o Brasil.

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